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O Sexo e a Periferia

Entre a Carrie Bradshaw e a Bridget Jones. Com muito menos glamour, é claro.

O Sexo e a Periferia

Entre a Carrie Bradshaw e a Bridget Jones. Com muito menos glamour, é claro.

I give up!

A Solteira, 10.01.22

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Então, depois do convite anterior que recebi, fiz o quê? Cheguei-me à frente (quer-me parecer que os homens gostam de mulheres que tomam a iniciativa e dado que não sou propriamente uma "jóve", uma pessoa tem de acelerar - dentro dos limites possíveis - a cena) e sugeri que voltássemos a fazer qualquer coisa juntos (até porque era interessante confirmar ou não as primeiras impressões que tive). A verdade, aqui entre nós, é que apesar de todas as coisas boas que o rapaz mostrou, eu acho-o um bocadinho sorumbático, tem assim uma aura meia escura à volta dele. Ele não me dá pica (já tinham percebido, não já?), até podíamos subir o Kilimanjaro juntos que a minha opinião provavelmente mudaria pouco, no entanto, uma pessoa - escaldazinha da vida - não quer voltar a cometer erros porque o deadline está assim pr'ó apertado: "não vou desperdiçar as oportunidades que o além envia, não vá ser este o homem da minha vida". Não me parece que seja. Enquanto há determinadas energias que nos puxam para determinadas pessoas também há as que se instalam entre duas criaturas. Talvez possamos ser bons amigos, mas há um abismo assim meio grande entre nós. Cenas que eu não consigo explicar.

 

Estávamos a falar por mensagem e eu escrevi "se quiseres fazer qualquer coisa mais tarde, combinamos, o que dizes?", ele respondeu "ah, tá, digo-te algo" e mais não disse. Até hoje. (já comecei a descontar metadinha dos pontos que lhe atribuí no primeiro encontro). Caramba, assim também fica dificil, né? Por mais que uma pessoa o queira tornar um bocadinho mais interessante, ele não colabora. Acho que somos muito parecidos em algumas coisas, o que segundo a lógica dos opostos, não resulta. Depois, há a idade. Um homem mais velho também é mais medroso e portanto não tem a frivolidade nem a espontâneidade que se deseja. Uma pena. É um daqueles casos para ficar na friendzone ad eternum. Eu só vos conto isto para vocês não virem dizer depois que eu não me estou a esforçar. Eu estou... se calhar até demais, mas também estou com a cabeça noutro lado. Como é que é possível que eu (ainda) pense n' a pessoa? Só me apetece cortar os pulsos. Juro. Se calhar deixava-me desta vida e hibernava, tipo os ursos, e voltava só no Verão. O que é que acham? 

Dois-mil-e-vinte-e-dois

A Solteira, 03.01.22

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Feliz ano novo queridos e queridas. Tenho um babado novo para vos contar... Adivinhem lá como eu é que eu comecei dois-mil-e-vinte-e-dois? Vocês até se vão benzer... Tive um date!!! Nem dá para acreditar, né?! O ano promete (especialmente se der para manter o rácio de um date por mês). Querem detalhes, né? Já nos conhecíamos do ginásio, mas só começámos a falar um pouco mais nos últimos meses. Resulta que não havendo grandes planos para a passagem de ano e não se podendo fazer grande coisa por causa do covid, o fulano convidou-me para uma caminhada. A originalidade garantiu-lhe alguns pontos, confesso. Como vocês devem imaginar, estou um pouco traumatizada com os dates anteriores onde acabei num carro (da primeira vez) e na casa da criatura (na segunda oportunidade), meninos pah! Se as coisas derem para o torto durante a caminhada, uma pessoa pode sempre fugir. Tomem nota.

 

Antes de nos conhecermos eu já tinha comentado com uma amiga em comum que o achava charmoso. É mais velho, (uns 8 anos talvez), tem cabelo e barba grisalhos (o que aporta alguma gracinha); apesar de baixo e magro, o corpo está bem tratado sem exageros (é muito fã de desporto); é licenciado (o que me deixa esperançosa que saiba a diferença entre ah, e à), sabe cozinhar (o que me leva a dar-lhe mais uns pontos extras); sabe estar sozinho (o que pode ser uma desvantagem se houver evoluções) e sabe ocupar-se devidamente sem chatear ninguém. Até aqui tudo bom. Relativamente à sua prestação no date, tenho a dizer que foi um senhor (vantagens da malta ser mais velha!). Fui muito bem tratada como não era há muito tempo. Apanhou-me, conduziu-me, perguntou-me se eu tinha frio e se podia abrir os vidros, perguntou-me se estava confortável com a condução dele, ajudou-me na caminhada, nas subidas, nas descidas, deixou-me passar sempre em primeiro lugar, à frente dele, como um verdadeiro cavalheiro, trouxe-me de volta a casa sã e salva e... o melhor de tudo, não tentou saltar para cima de mim em nenhuma momento. Thank you lord!  

 

Notei-o um pouco nervoso. Uns nervos assim de quem quer disfarçar que está num date, uns nervos de quem não quer pensar muito no assunto. Eu não estava nada nervosa. Nada. E eu sou um poço de ansiedade. Estava nervosa se tivesse de fazer xixi atrás de um árvore a meio da caminhada, mas não sintomatizei, logo a bexiga portou-se bem. Fartou-se de dizer, várias vezes, que gostava muito de estar sozinho, que não queria relações, que era muito frio... Regra número 1 dos dates: acreditar sempre naquilo que as pessoas nos dizem sobre elas próprias. Até pode sê-lo, no momento vejo-o apenas muito carente. Alguém a quem as aproximações custam, daí talvez os nervos. Recordo-me que numa das primeiras conversas que tivemos lhe perguntei se não se sentia sozinho e ele respondeu "claro que sim". Fiquei surpresa com a rapidez e com a honestidade. Custa-nos a todos sermos vulneráveis, especialmente aos homens. Ele não hesitou. Acho que temos espaço suficiente entre nós para convivermos confortavelmente com as nossas fragilidades. Talvez tenha sido isso o que nos aproximou. Não sei. É bom falar com alguém de carne e osso que não se tenta fazer passar por super homem. A educação dele cativou-me. Não vou mentir. Senti-me um bocadinho princesa. Uma princesa descabelada e mal vestida, é verdade. De facto não investi muito na minha imagem. Não pretendia impressionar ninguém, queria apenas divertir-me. Não sei se se pode considerar um date uma saída onde se vai quase de pijama e sem maquilhagem, mas foi honesto. Mais vale ele ver-me logo feia para saber com o que pode contar. Quantos mais velhos ficamos, mais económicos somos. "É interessante?" perguntou-me uma amiga. "Mais do que 'A pessoa'". Sim é, não tenho dúvidas, mas... "lá vai ela começar a pôr defeitos, dizem vocês", depois do primeiro date com alguém, só consigo ver coisas más, também vos acontece? Já não o acho assim um charmeeee e não sei explicar bem porquê.

 

Talvez seja por ser magro demais. Acho que se ele fosse um bocadinho maior, mais robusto, ajudava bastante. Assim de repente acho a possibilidade muito desequilibrada, mas eu também posso estar a ver as coisas de uma perspectiva errada, ele pode não ser tão pequeno assim como eu o vejo e eu posso não ser tão grande como me faço parecer. Se me perguntassem, sentes vontade de ir para a cama com ele? Assim de repente, não. "A pessoa" também não era assim muito maior, estão muito equilibrados nesse aspecto, era um bocadinho mais lumberjack, digamos. A um falta-lhe um bocadinho de classe, ao outro um bocadinho de virilidade. Óh diabos, não vem fácil, né? Acho que o desempate pode se dar ao nível do follow-up. Sim, os follow-ups dos dates são super importantes e muita gente se perde aí. O d' A pessoa foi só péssimo, resta saber como será o deste. Acho que é por aí que se verá se há ou não interesse suficiente capaz de ultrapassar a falta de gordura do homem.

Here we go... again!

A Solteira, 31.12.21

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"Finalmente as forças cósmicas farão um ajuste e vai sentir equilibrio na sua vida. Libertar-se-á de karmas pesados e entra numa fase mais harmoniosa. Poderá entender agora que todas as provações do passado tiveram um significado profundo. Tudo ficará mais claro. Não force qualquer situação, deixe fluir, pois só assim se irá aproximar da harmonia tão desejada. Pare de se ajustar aos outros, seja genuíno. Não negue a sua essência. Se passou por uma separação, vai reconhecer o quão libertador foi andar pelo próprio pé. Poderá agora conhecer alguém verdadeiramente equilibrado e honesto. Novas relações trazem estrutura. O sector profissional encontra-se favorecido desde que cumpra com método e imparcialidade o que lhe for solicitado. O ano pede disciplina. Na saúde atenção ao funcionamento intestinal".

Há um ano que vos escrevo. Continuo solteira. Ou melhor, sem ter sexo. A dois, pelo menos. Como se quer. Vocês são testemunhas que o horóscopo do próximo ano garante a libertação de karmas pesados. Não vejo a hora. Se em 6 meses a coisa não se der, eu embebedo-me e pronto, seja o que Deus quiser. Bom ano. Sejam felizes. Perfumem-se! 

Parábola de Natal

A Solteira, 30.12.21

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A minha amiga, que anda com um "amigo" mas não o quer assumir por enquanto, ofereceu-lhe o quê este Natal? Um perfume, sugerido por mim, porque não tinha ideias. Primeiro achou uma prenda muito prenda para quem é só "amigo" (ainda), depois comprou-lhe a embalagem de 100ml porque há coisas que uma pessoa tem de agradecer como é o caso da "dedicação" e "tamanho" da amizade. O meu "amigo" de quem eu não sou "amiga", também recebeu um perfume de outra "amiga" mais "amiga" do que eu. Postou nas redes e escreveu "recomendo". Não sabia que ele tinha virado influencer... No entanto, não deve ser uma "amizade" nem muito forte, nem muito grande porque a embalagem é só de 30ml. A minha amiga tem outro amigo menos "amigo" do que o primeiro, que também tem um perfume para lhe oferecer. Ela acha que é uma prenda muito prenda para quem nem sequer é "amigo". Resta saber qual é o tamanho da embalagem. Eu como não tenho "amigos" não tive perfumes. Moral da história: quem tem "amigos" não cheira mal!

Jesus Christ!

A Solteira, 28.12.21

 

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Here we go... again. Já leram as notícias hoje? Não leiam. Não vale a pena. "Portugal regista número mais alto de casos desde o início da pandemia" é tudo o que precisam saber. Aaah, convém darem uma vista d'olhos nas restrições que estão em vigor. Para os distraídos, os saldos só começam a partir de 09 de Janeiro. Está bonito, sim senhor. Passagem de ano cancelada, as primeiras férias de 2022 canceladas, zero convites para sair. Sinto o optimismo imprudente de 2021 a finar-se em 3, 2, 1... Foi um ano bom - claro que foi! - atendendo a tudo o que conseguimos fazer dadas as circunstâncias, mas agora que uma pessoa lhe tinha tomado o gosto, este finale tá assim com cara de quem comeu e não gostou, não tá?

 

Valha-me Deus nosso senhor, é para continuar sem sexo até à menopausa, não é? 

 

Como se isso não bastasse, a minha cabeleireira decidiu dar cabo da pouca dignidade que me restava. Lembram-se da Mónica Naranjo? Prazer, eu. As coisas já não estavam a correr de feição, mas as madeixas amarelas que ela me fez não vieram ajudar. Eu, uma Belluci em sonhos. O dinheiro e o tempo que eu vou gastar a recuperar o cabelo... a auto-estima, essa, nem sei se será possível. Estava me achando, né?! Tinha-me imaginado assim toda em brilhos estas festas e vai se a ver e quer-me parecer que vai ser mais toda em pijama da Primark. Sozinha, claro. Estranho seria o contrário.

 

Se até Jesus foi dispensado das suas funções, isto não está easy. Nada easy. E querem-se rir? Só mais um bocadinho? O instrutor do ginásio que eu frequento achou por bem que eu me pesasse amanhã para termos números de controle. Nossa, p'raquê tanta tensão concentrada assim em tão poucos dias... Que raio de desfecho é este? O apocalipse? Chamem o Manoel Carlos se faz favor para ele dar uma volta a isto. 

 

Pelos horóscopos que já andei a fuxicar, o meu signo não está nem entre os que poderão vir a receber um pedido de casamento em 2022 nem entre os que terão um ano bombástico. Portanto, portanto, vou ali comprar uma máscara hidratante para a pelúcia e vou hibernar. Acho que é o melhor que faço.

Querido Papai Noel

A Solteira, 22.12.21

 

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Não sei se vocês utilizam apps de encontros, mas essas modernices para mim são o mesmo que andar pelas ruas da amargura. Sempre que faço uma (nova) tentativa, consigo supreender-me. Pela negativa, claro. Ou as minhas expectativas estão muito altas ou ando (definitivamente) pelas apps erradas. E não digam que eu sou esquisita. Nos próximos dias vou ouvi-lo, várias vezes, vindo de pessoas a quem não posso mandar, cordialmente, para outro lado. Tenho apostado nos perfis mais jovens. Não me perguntem porquê, nunca foi uma coisa que me chamasse (muito) a atenção. Sempre fugi de rapazes mais novos, mas agora começam a interessar-me. Talvez os velhos se tenham tornado demasiado velhos. O problema dos mais novos é um bocadinho o mesmo da ejaculação precoce. Uma pessoa ainda nem aqueceu bem e aaaah, eles chegam sempre cedo demais (aonde não devem). Raios partam essas criaturas que não deixam sequer uma pessoa engatar a segunda. Metem a primeira, arrancam e quê? Deixam o carro ir abaixo. Uma desilusão.

 

Antigamente, no tempo em que eu tinha vida amorosa - embora tenha sido há muito tempo é posterior à extinção dos dinossauros, tá? - as pessoas combinavam ir tomar café, jantar, um cinema ou um jogo de futebol. Há lá coisa mais engraçada (e mais genuína) do que ir a bola com um tipo? As pessoas costumavam falar. E falar, para mim, continua a ser muito afrodisíaco. Já fostes, né? Os preliminares - as saídas todas que se combinavam até acontecer  - iam em crescendo. A vontade aumentava na medida do que se partilhava. Quando acontecia, uiiii, é porque não dava mais para segurar. Era quando já se sabia qual era o clube de futebol, a banda favorita, a comida predilecta, a marca do perfume e a posição exacta do dente postiço do acidente de mota aos 16 anos. Quando acontecia, era porque havia um antes de tudo o que passaria a depois. Era bom, não era? Esta coisa do mercado livre e do digital não é bonita. É mais fácil ter-se sexo com um desconhecido do que conhecer-se uma pessoa. Parece-me (muito) errado, embora eu perceba que é muito mais fácil despir-nos físicamente do que emocionalmente. Sinto-me um peixe fora de água neste mundo onde eu costumava viver. Não consigo acompanhar os tempos, (pelo menos nesta área), mas tenho amigas, inclusive mais velhas, que se estão a dar muito bem e que recomendam. Parece-me excelente, mas não para mim.

 

Há detalhes tão importantes numa pessoa. É o conjunto o que torna quente alguém. A voz, a postura, a maneira como anda, como mexe as mãos, como se senta, até como conduz. É, sem querer tornar isto demasiado intelectual, a construção da narrativa. O décor. Nas apps isso não acontece. É como aqueles locutores de rádio com voz de cama com quem andamos a sonhar há meses. Um dia cruzamo-nos com eles e descobrimos que medem 1,60, usam camisas às flores e são gays. Que mundo injusto este. Continuem a chamar-me de romântica - ou de parva, é quase a mesma coisa - mas continuo a alimentar a esperança - cada vez menos, note-se! - de vir a conhecer alguém de uma forma engraçada. Numa viagem de avião (curta claro, que uma pessoa já não tem nervos nem paciência para longas distâncias), no supermercado (enquanto agarramos ambos na mesma fruta), no ginásio, por exemplo (enquanto suamos em conjunto). Sei lá universo, dá uma ajudinha, please! Eu tenho-me portado tão bem, já merecia. Da próxima vez que eu sair, se o covid deixar, é claro, das duas uma: envia-me alguém que se dê ao trabalho de perguntar o nome (menos o segundo que é assim só péssimo e ele era capaz de fugir antes) ou então embebeda-me o suficiente para isso não se tornar um entrave. Ah, e se não for pedir muito, e isto começar assim outra vez a fechar tudo, antes de entrarmos no 47893º confinamento, deixa-me por favor, dar uma queca. Obrigada papaizinho.

Nunca digas nunca

A Solteira, 17.12.21

 

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Parece que falei cedo demais quando disse no post anterior "acho que nenhuma de nós a vai ganhar". A aposta. Parece que foi uma premonição. Bumble, jantar, copos, selinho e... vocês já sabem. Mensagem no grupo do whatsapp hoje de manhã. Bye bye jejum de 2 anos (nem vou fazer contas ao meu!). Uma despedida jeitosinha segundo consta. Já só estou a concorrer para o segundo lugar no pódio. Até às 23H59 do dia 31 tudo pode acontecer. 

Estrela Michelin

A Solteira, 16.12.21

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Ontem, no gabinete de um médico ao qual fui pela primeira vez, reconheceram-me das notícias locais. "Você é a X que tem a empresa Y". Acho que foi a primeira vez em quase dois anos que tomei consciência disto: "caraças, é a sério". É real. Os meus lábios contraíram-se involuntariamente. Não deu mesmo para disfarçar. Acho até que fiquei ligeiramente ruborizada. E com um brilhozinho nos olhos. Já me reconhecem por aquilo que eu ando a fazer. E o bónus, ainda por cima, é que acham que aquilo que eu ando fazer é bom. Incrível. Life's good. 

 

Este ano foi um presente. Um espaço novo para o negócio. Um espaço novo para mim. Umas férias incríveis com as amigas. Treinos duros e consistentes. E uns centímetros a menos. O que é que se pode pedir mais? Nada. Absolutamente nada. Continuo solteira, é verdade, mas já não me incomoda muito. Estive ocupada a namorar-me e soube-me bem. Tão bem. Estou numa relação séria. Muito séria. Vai ser dificil alguém se meter entre nós, entre mim e a minha melhor versão.

 

A minha rede social e os meus contactos aumentaram. E o ano ainda não acabou. A aposta continua a valer. Mas se a perder, não vou ficar triste. (acho que nenhuma de nós a vai ganhar!). Há dois fins de semana ainda pensei quebrá-la. Saí, bebi e reparei num rapaz giro que dançava bastante bem. Temos alguns contactos em comum. Tenho a certeza que o álcool influenciou bastante a minha avaliação. No fim de semana passado voltámos a encontrar-nos no mesmo sítio e no fim da noite ele veio falar comigo depois de eu lhe ter feito olhinhos. (ainda se fazem olhinhos, certo?!) Com menos álcool e com mais dois dedos de conversa, já não lhe achei tanta graça. Continua a ser giro, continua a dançar bem, mas vocês acreditam que ele nem sequer me perguntou o nome? Básico, né? Há mínimos. Dado esse pequeno detalhe, nem me dei ao trabalho de adicionar nas redes. Até o faria, se tivesse cumprido com os requisitos, mas uma pessoa que não quer saber o nome da outra, não tem nenhum interesse legítimo nela. A noite não é um dos melhores sítios para conhecer pessoas novas decentes, mas como eu não posso ir a casa dos casados e dos que vão para a cama cedo, tenho de me desenrascar da forma que dá. Como diz uma amiga minha, "é tudo comida de hotel". É verdade. Uma pessoa à espera de um estrela michelin e sai-lhe um prego no pão insonso. 

 

 

 

 

I'm done!

A Solteira, 09.12.21

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Eu não sei como é que vocês se estão a aguentar, mas aqui para estes lados, o fim de ano está com uns ares de planeta retrógado. Acho que deve haver assim uma espécie de acerto de contas perto dos dias do fim que é mais ou menos o seguinte: se o teu ano correu razoavelmente bem, sofres um ou dois auto-golos no período dos descontos só para não te armares ao pingarelho. O mesmo se aplica ao contrário, se o teu ano foi relativamente medíocre, deixam-te marcar um livre só para te iludirem mais um bocadinho. Estou obviamente a ironizar. Não acredito nem muito nem pouco nestes acertos, mas começo a duvidar da minha idoneidade passada. Suspeito que noutras vidas tenha sido alguém de carácter duvidoso. 

 

Não sei o que é que se passa ultimamente, mas sinto-me uma espécie de íman. Atraio tudo o que é gente mal resolvida, de má qualidade, a precisar urgentemente de reabilitação psicológica. Homens e mulheres. Senhor, que aprendizado é este? Eu pedi que me ajudasses a expandir a minha rede de contactos, não que me enviasses as ovelhas do rebanho com as quais tu próprio já não sabes o que fazer! Pensei, ingenuamente, que as contas deste ano relativamente à quota de pessoas-malucas-com-desvios-de-personalidade-graves-que-nao-tem-mais-do-que-fazer tivessem ficado saldadas com o episódio d' "A pessoa", mas parece que não. E não, não foi ele que me veio chatear desta vez. A criatura está obviamente ocupada. Eu não aceitei o convite suspeito para uma escapadinha ainda mais suspeita, mas alguém há-de ter aceite (nem que seja a pessoa com quem ele - off the record - tem qualquer coisa). Sim, já vos tinha dito que eu tenho um talento inato para descobrir mesmo aquilo que eu não quero, não já? Não se aflijam, tudo na vida se descobre. Principalmente o que não se quer. 

 

Estou cansada espiritualmente. Esperar sempre o melhor de toda a gente é o meu desporto radical. O meu 2021 foi fenomenal. Incrivel mesmo. Acho que subi assim dois degraus na escadaria cósmica do nirvana, mas tornar-me isto tudo que me estou a tornar tem sido um esforço puxadito, tipo o de uma pessoa de letras a tentar passar a matemática. O que me descansa é saber que a pessoa que eu sou hoje é alguém que torce muito por mim. Não há sensação melhor no mundo. A pessoa que eu sou hoje é alguém que (já) diz mais vezes do que o habitual: "porra, esta miúda merece que lhe aconteçam coisas boas, porque não?" E embora pareça cliché, a verdade é que quando somos nossos fãs, o resto das prioridades mudam. Assim como os processos selectivos, os critérios intervenientes e as pessoas que queremos que estejam nas nossas vidas. Já não gastamos energia com o que não nos realimenta. E apesar do processo para chegar até aqui ser feito essencialmente de perdas - coisas, pessoas e relações que ficam pelo caminho - vale muito a pena. Mas, não deixo de estar cansada. E triste. 

 

Às vezes penso que as pessoas como eu, as que esperam sempre o melhor de toda a gente, não encaixam muito bem nestes tempos modernos. Este mundo virtual em que todos são muito-qualquer-coisa, pouco vulneráveis e artificialmente felizes está a deixar-me cansada. Tenho saudades de gente de carne e osso. Tantas. Gente que sabe que uma relação é mais do que um like numa foto. Gente que quando não respondes no segundo imediatamente a seguir não te cobra e não te diz "estás distante". Gente que não mede a amizade que tem contigo com base nos benefícios que tu lhes trazes. Gente que quando decide que te quer conhecer, conhece-te. Gente que quando se chateia contigo, resolve os problemas falando contigo, não postando indirectas. Que raio de mundo é este onde nos movimentamos? Que raio de pessoas são estas com quem nos cruzamos? Estou desiludida. No geral e em particular. Com o amor. E com a amizade. Com o que parecia uma promessa e não foi. Não é obrigatório que as coisas dêem certo, mas caramba, estou cansada que dêem errado. Assim como estou cansada que me façam acreditar que deram errado por minha causa. Continuo a surpreender-me demasiado com as pessoas e acho que isso ainda acontece porque eu não consigo não gostar delas.

 

Acho que se eu tivesse que resumir este ano numa palavra eu diria talvez que foi o ano das tentativas. Ah, como eu tentei. Como eu continuo a tentar. Como eu hei-de tentar sempre. Que nunca me falte a força para isso, embora nesta recta final eu me sinta cansada e com vontade de parar e gritar: "chega!, se não for p'ra ser, não chega nem perto! deixa eu aí no meu canto, tocando minha vida e não se incomoda, não". Fechado para balanço.

 

 

Interessados, interessem-se!

A Solteira, 02.12.21

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Em relação ao último post esqueci-me de acrescentar algumas informações pertinentes... Durante a última troca de mensagens com a criatura, "a pessoa" admitiu que as "coisas" entre nós não tinham corrido bem por causa da forma como ele as tinha conduzido e que eu devia estar um bocadinho chateada. Óbvio que não o admiti, mais do que chateada, estou confusa. Estou já naquela fase em que só estou a tentar perceber o tipo de desvio de personalidade que ele tem. É que se por um lado a criatura é confiançuda o bastante para proferir um "acho que estás chateada comigo", ao mesmo tempo, pede desculpa... Os psicopatas normalmente não o fazem. Não pedem desculpas porque não têm empatia nem por uma pedra da calçada. Irrita um pouco, confesso, estava a apostar as minhas fichas quase todas nesse cavalo. O que leva então uma pessoa a admitir à outra que errou no contexto de um engate quando o acto em si ainda não foi consumado? Ao que parece, uma segunda investida. Certo?

 

Por um lado até percebo, ou melhor, gosto de pensar que o fruto proibido é o mais apetecido. Se isto não serviu para nada, ao menos que sirva para me fazer bem ao ego dentro da medida do possível. Ele disse ainda que podia ter conduzido as coisas de outra forma. "Conduzido?" Vocês já perceberam como a criatura me intriga, não já? E insistiu muito para que eu dissesse como me sentia. Isto porque deixei de responder durante uns dias e ele voltou a perguntar. Dei apenas a entender que o seu comportamento era muito inconsistente e que isso não lhe dava credibilidade alguma. Disse também que não estava chateada - mas vocês sabem que estou - porque não chegámos a ter nenhuma relação e que as coisas acontecem da forma que têm de acontecer. Se não era para ser, não foi. A criatura retorquiu - uma palavra cara como aquelas que ele costuma usar e que eu às vezes tenho sérias dúvidas se ele sabe o signficado delas - e disse que eu não podia pôr as coisas nessa perspectiva... e que continuava interessado. O interesse ele reforçou várias vezes, pô-lo em prático, valha-nos Deus Nosso Senhor! Este menino está cá a parecer-me que gosta muito que sejam as moças a ir atrás dele...

 

Contudo, depois desta troca de mensagens, ele continuou a falar durante uns dias até que se evaporou. Um acontecimento que já fazia parte da previsão metereológica. Eu fico a saber que "o interesse continua" que é como quem diz, "a minha porta está sempre aberta". Então não havia de estar? Para mim e para quem quiser entrar. Portanto, de todas as vezes que a miopia se agravar, eu tenho de lembrar a mim própria que um homem inteligente nunca teria atitudes destas. Uma coisa é ser-se esperto, outra é inteligente. Eu sei, também tenho noção, que sou um osso duro de roer comparativamente ao mercado em geral. Falta-lhe estratégia. Pode não a ter por não saber ou por não querer. São sempre essas as duas hipóteses em cima da mesa. Contudo, intriga-me um bocado o pseudo pedido de desculpas, porque é estranho... É estranho as pessoas pedirem desculpas. Ele já o fez duas vezes. Não abona muito em seu favor. As desculpas não se pedem, evitam-se, mas gosto de pensar que é uma réstia de consciência / bondade. Estarei a ser parva? Outra vez? É (muito) provavel. 

 

Para além de todo este quebra-cabeças ridiculo e penoso, um bate-bola para cá e para lá sem grande desenvolvimento, a criatura tem uma coisa que me irrita profundamente... Então não é que "copia" a onda dos meus posts nas redes sociais? Se eu postar uma paisagem com um sol, ele posta uma com a lua, se eu postar um passarinho a voar, ele posta um cordeirinho a pastar, se eu postar uma foto com a prima, ele posta uma foto com o primo. Eu não sou louca. A criatura fá-lo. Vocês podem dizer que é mera coincidência e que eu nem sequer me devia preocupar com isso, é capaz, mas é muito estranho. Muito. Até nas fotos de perfil, recria as mesmas poses e os mesmos elementos. Yap. Weird. Opção psicopata valendo. Uma tentativa de me impressionar? Talvez. Por vezes acabamos por nos espelhar um pouco nas pessoas de quem nos aproximamos. Isso não é necessariamente mau. Vou considerar um elogio. No fundo, no fundo, o que a criatura ambiciona é ter a mesma classe do que eu. Porque não? Nós desejamos parecer-nos com o que achamos bonito. Belo. Interessante. Se calhar não ando assim tão longe da verdade. Sinto que podia tirar um mestrado em psicologia que me ia sair muito bem. Credo, hoje a confiançuda sou eu! Que inédito!

 

Moral da história, não me posso iludir muito com os pedidos de desculpas porque eles podiam ser perfeitamente evitáveis. Não me posso esquecer que a criatura adicionou as minhas amigas das redes sociais e enviou-lhes mensagens. Nem me posso esquecer que as suas palavras não correspondem às suas acções. Porque raio é que eu continuo a ser tão diplomática? Provavelmente porque o mesmo bichinho que lhe ficou atravessado, também se atravessou a mim. Temos de ser honestos. É que às vezes a pessoa nem precisa ser muito interessante, muito dedicada ou muito bonita. Basta dar-nos um fora para a gente ficar obcecados com ela. I've been there, I've done that. Uma coisa é verdade, nunca na vida ninguém me tinha dado um corte assim tão frio e tão directo, mas olhem, fez-me um bem à saúdinha que nem vos digo nada. Fiquei fina, fina. Se calhar ele apareceu com essa missão, dar uma valorizada aqui na mamacita. Que assim seja.