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O Sexo e a Periferia

Entre a Carrie Bradshaw e a Bridget Jones. Com muito menos glamour, é claro.

Estou exausta. Nesta época do ano - e à custa de muito trabalho - começa a falhar-me tudo, sobretudo a paciência (o ingrediente principal da vida). O Verão pede que eu seja rápida a dar resposta às solicitações dos clientes (que querem tudo para ontem) e isso dá-me cabo dos nervos porque o conceito não está pensado (e muito menos adaptado) para a venda rápida e imediata. Sou só uma e a única que consegue aconselhar sobre a especificidade de cada produto. Vivo sem os encargos de ter empregados, mas acumulo o cansaço e o desgaste de pelo menos dois. É por isso que no Verão eu habito o corpo, mas a alma tira férias. 

 

O senhorio deixou-me à vontade com a questão da saída, "se não encontrares nada, continuas aqui", mas os filhos dele exigiram datas. Querem expandir-se (estou num espaço comercial ao lado do espaço comercial que ocupam) e sou eu quem está a atrasar o processo. Posso ir para um espaço maior, mas não sei se faz sentido. Não posso esquecer-me dos factos e os factos são: estou a envelhecer e a paciência (para isto e para o resto) vai começar a faltar-me. A endocronologista pediu análises porque existe a suspeita de estar a fazer uma menopausa precoce. Para além do impacto que isso pode ter na minha saúde física e mental, juntam-se às circunstâncias outros factores: o centro histórico onde estou está deserto, saindo daqui saio da rua mais atractiva do momento, contudo pensar numa mudança maior - para outra zona geográfica - aumenta consideravelmente o meu refluxo gástrico. 

 

O primeiro pensamento que tive foi: "que bela oportunidade para acabar com tudo!". Ter uma boa desculpa tornaria a decisão mais fácil de ser tomada. Aquilo que me está a acontecer agora, na realidade, já podia ter acontecido antes, eu é que nunca pensei nessa possibilidade. "E vou viver do quê?". Ora aí está. Acho que ainda não é o momento de desistir, é apenas o momento de mudar. Gosto do que faço e não consigo imaginar-me de novo num ambiente 9H-18H. Apesar da dureza do empreendedorismo em nome individual, há uma liberdade MUITO PEQUENA que compensa o esforço e as dores. Tudo o que tenho - incluindo um bom pé de meia que os meus afilhados hão-de estragar na falta de herdeiros directos - é demasiado bom para jogar fora. 

 

Fiz alguns contactos - muito poucos confesso - e estou à espera que as coisas se desenrolem. Na verdade, estou à espera de ter um feeling. Chamem-me louca, mas tudo o que faço na minha vida tem de ter um feeling e por enquanto ainda não senti nada... e é isso que me está a enervar mais! Estou completamente às escuras em relação a que direcção tomar. A parte boa disto tudo é que ando tão ocupada com a minha vida que não tenho tido tempo para pensar em mais nada e ainda bem porque basta-me o que tenho em mãos. Estou a confiar no processo - na medida do possível - (espero que ele saiba disso) e estou também a tentar não medir forças com o que se atravessa à minha frente. Bem que podia ser um moreno, de 1,80m, com uns ombros largos e uns braços fortes. Para ajudar na mudança, claro...

BIG-HUGE-PLOT-TWIST!

 

Sinto que 2025 é de facto um pivot year para mim. Seja o que Deus quiser (o tipo que escreve o guião para quem acredita). Não tenho falado dos assuntos domésticos, mas posso dizer que o ano começou com conversas dificeis. Uma delas com o senhorio da casa onde vivo. Lembrou-se de aumentar a renda e eu - não querendo voltar para casa dos meus pais - tive de negociar o valor. Chegámos a um acordo - não muito feliz para mim, não muito feliz para ele - mas é o que há. Voltar a viver com os meus pais - dois reformados que ao fim de 70 anos ainda não encontraram um propósito na vida - não é uma opção (embora fosse o que eles gostavam muito que acontecesse). Pedi um tempo para processar a ideia (mesmo não gostando dela) e acabei por me chegar à frente depois de ouvir o eterno argumento que destrói qualquer tipo de negociação indivdual:"duas pessoas pagariam mais". A vida para os solteiros é pesada.

 

Uma amiga minha, recém divorciada, diz que ligou o modo "foda-se", eu liguei o "go with the flow". O horóscopo avisou-me, várias vezes, que este seria o ano de abandonar todas as expectativas e abraçar o mundo fora dos planos. Como se tudo o que já aconteceu não fosse bastante, o senhorio - do espaço onde tenho implementado o meu negócio - disse-me há poucos dias que irá precisar dele, ou seja, convidou-me a sair quando me for possível. I didn't see that coming. O espaço onde estou actualmente - assim como a casa onde vivo - foram aquilo que podemos chamar de achado. Sinto-me muito bem onde estou e não fazia intenções de me mudar, agora a vida vai obrigar-me a isso e não vale a pena resistir, o que é que eu posso fazer? N-A-D-A. São mudanças impostas e eu vou ter de lidar com elas, mas já-já não me apetece muito.

 

Decidi deixar tudo o que é pendência para depois das férias. Aliás ainda nem fui de férias, já marquei as próximas. Estou a fazer de conta que está tudo bem e na verdade está. Basta lembrar-me há 5 anos atrás quando não sabia o que fazer, a sorte que tive em encontrar um espaço assim. Se a vida me está a trocar as voltas outra vez é PORQUE SÓ PODE TER COISAS MELHORES PARA MIM. Na verdade, na verdade, não faço a minima ideia do que é que vou fazer e como vou fazer, mas... não estou aflita nem em pânico. Eu sei que tenho capacidade para encarar o desafio, só não sei como. Tenho várias hipóteses, mas honestamente não sei se evoluir significa obrigatoriamente crescer. Comecei o meu projecto em casa e depois dei o salto para a rua e agora não sei se não faria sentido voltar às origens. Não, não quero voltar a trabalhar em casa, mas também não sei quero investir num espaço maior. Já vi isto acontecer com outras marcas e tenho algum receio que o crescimento deturpe a essência original das coisas. Há muito em que pensar e isso é o que me aflige mais. Sinto que estou sem ideias. Como é que poderei continuar a ser inovadora? 

 

O problema da renda seria facilmente resolvido com um companheiro com quem dividir as despesas. Daria muito jeito, óbvio, e eu gostava de passar por essa experiência. Eu gostava de passar por todas as experiências que as pessoas utilizam como arma de arremesso para gozar comigo, mesmo que digam disfarçadamente que é "apenas uma brincadeira". A minha irmã, por exemplo, já suportou imensas relações de conveniência porque nunca foi suficientemente funcional para se auto sustentar. Prefere depender a não trabalhar, o que a minha mãe fez toda a vida e a levou a ficar presa num casamento infeliz e pouco saudável. De vez em quando, nas conversas muito esporádicas que mantemos, solta um "tu não sabes o que é viver com alguém", "falta-te muita maturidade nas relações", "boa sorte com as tuas dietas, já tentaste de tudo", "que Deus te continue a dar muita força para manteres essa disciplina toda"... isto soa tóxico, não soa? Ser bem sucedida como sou, disciplinada e devota aos meus compromissos e ainda ter uma relação seria o golpe misericordioso para quem me acha um mistério e um fenómeno. Não é uma tentativa, é um estilo de vida, uma escolha que faço todos os dias e eu achava que aqueles que me querem bem deviam incentivar-me e não criticar-me. A toxicidade da minha irmã vem obviamente dos meus pais, eles também acham "estranho" tudo o que como, um "exagero" tudo o que faço e uma "falta de educação" tudo o que não lhes conto. Na minha família as relações sempre foram mantidas com rédea curta, controlo e dependência e não com amor. Infelizmente nenhum deles compreendeu ainda que aquilo que eu faço está ao alcance de qualquer um. A solidão mais pesada de carregar na minha vida vem justamente do facto de sentir que para a minha família eu sou dificil. É por isso que eu não convivo muito com os meus. Nem insisto. Sempre que tento sou magoada e I'm so tired of this shit. Nem lhes contei as novidades e não sei se o faça. A luta é minha, portanto, preciso de paz e silêncio para me conseguir ouvir. 

 

Agora faz tudo sentido, os hóroscopos (para quem acredita, claro). Que ano vem por aí abaixo... mas sabem uma coisa: continuo acreditar que tem grandes coisas guardadas - não só aumentos de renda - tem AMOR também. Não sei onde, não sei quando, mas tal como eu não vi muita coisa chegar, ele VAI APARECER. 

Andam-me a acontecer coisas estranhas. Estranhas-não-más-nem-péssimas-mas-estranhas. Assim um bocadinho esquisitas. A brincar, a brincar, se calhar o Reiki foi mesmo eficaz e os chacras bloqueados desentupiram todos. Primeira coisa estranha: tenho sonhado imenso com o meu passado e pela primeira vez em muito tempo não são pesadelos. São mesmo sonhos, eu diria mensagens. Sonhei com o meu ex a entrar num autocarro e a dizer-me adeus e sonhei também com uns chefes medonhos - que me fizeram a vida negra e com quem costumava ter pesadelos recorrentes - a convidarem-me para nos sentarmos todos a uma mesa. Este personagens foram - em tempos idos - traumatizaram-me muito. Retive a lembrança dos sonhos porque não me metiam medo. Foram episódios pacíficos (e não costumavam ser, nem mesmo a dormir). Sinto, alegoricamente falando, que talvez signifiquem uma despedida simbólica. 10 anos depois o poder deles sobre mim talvez não exista mais. Segunda coisa estranha, para além de sonhar com pessoas do meu passado, também as tenho visto. Há uns dias, fui tomar o pequeno almoço com o rapaz com quem perdi a virgindade há 20 anos. Bom, não fui com ele, mas ele estava na mesma sala do que eu, no mesmo espaço. Ele vive fora e portanto, não é comum vermo-nos. Como é que vocês se sentiriram se vos acontecesse o mesmo? Será que significa que o reset está feito? Que voltei às definições de origem?

 

Ao longo dos últimos 10 anos há outra pessoa que continua a aparecer na minha vida. Desta feita, virtualmente, nas sugestões de amigos do facebook. Será obra do algoritmo ou do destino? Sabem quem é? É o da raspadinha, o que descrevi como tendo sendo a primeira pessoa que me mostrou que eu podia ser vulnerável sem que isso fosse usado contra mim. O que colocou a fasquia alta e que fez com que tudo fosse mágico ao ponto de ter sentido que só tinha começado a valer a partir daí. Já conheci outras pessoas, já houve gente a entrar e a sair e quem me continua a aparecer nas sugestões é ele. Deixei de acreditar que nos poderíamos cruzar por aí. O aeroporto é o cenário onde imagino que poderia acontecer. Aliás, confesso, sempre que passo pelo aeroporto de Lisboa que penso nele, mas quem cumpre a missão, nunca mais volta, certo? Contudo, acho graça que me apareça sistematicamente no feed, parece um alerta: menos do que isto, não aceites.

 

Tenho falado muito e com muita gente sobre coisas que não costumo falar. Estou muito mais disponível do aquilo que estava antes. Acho também que estou mais presente, mais alinhada, já não crio tantas expectativas sobre as coisas e as pessoas e estou muito mais feliz e serena. Limito-me a desfrutar do que elas são e não resisto ao processo. Se é assim é porque tem de ser e porque a vida me quer mostrar as coisas dessa forma. Estou a aderir a coisas novas sem pensar muito e a colher os frutos dos meus esforços. No fim deste mês vou viajar e sabem com quem? Com uma colega que fazia parte do grupo do ano passado. O tal grupo de pessoas com quem tinha receio de viajar. Fantástico, não é? 

 

Sinto que - não querendo já atirar foguetes antes da festa - não estou atormentada pelos medos e pelas perdas. Não tenho nenhum receio muito válido e talvez seja aqui, a este lugar, que todos precisamos chegar quando queremos realmente viver no aqui e agora. Estou quase a terminar a primeira volta dos 40. E, olhem, a vida presta.

O governo caiu. Outra vez. Como é que alguém - no seu perfeito juízo - pode não estar deprimido em Portugal? Nem o governo se aguenta! É uma missão quase impossível... a não ser nos meses de Verão em que vivemos numa bolha chamada calor. Tenho mantido a televisão apagada, mas as más notícias correm depressa. Ainda bem que a escapadinha com o meu "amigo" me valeu a instalação da STREMIO. Aos 40+ a pessoa já não dá o "recipiciente", a pessoa investe-lo. Ele voltou a convidar-me para viajarmos juntos, mas cortei-me. Não me sinto capaz, o destino não me atrai e ele também não. Desde que tivemos essa conversa ele nunca mais me perguntou como é que ando ou como me sinto, portanto está bem na hora de despromovê-lo. Os hétero estão em vias de extinção e isso é uma calamidade pública!

 

Hoje tive consulta com a minha nutri. Foi muito atenciosa. A prioridade é focar na recuperação emocional, o mais dificil claro, e na saúde mental. Continuo a ter bons resultados numéricos, mas do que é que servem se o todo não está a funcionar como deveria? Vamos tentar um novo cocktail de suplementos naturais para desacelerar esta descida aos infernos. O Inverno tem sido um tormento. Chuva, vento, frio, imensos dias cinzentos. Ontem tive um dia bom, sentia-me energética e criativa, hoje acordei virada do avesso. Outra vez. E nem sequer tive pesadelos maus, mas enfardei meia tabelete de chocolate negro antes de ir para a cama, o que pode não ter contribuido de todo para acordar no meu melhor. Falei com ela sobre o diagnóstico do HPV e ela disse que quase toda a gente - que já tenha tido relações sexuais -  tem o vírus e que ele é transmissível mesmo com o uso do preservativo. Na maioria das situações, um organismo saudável e um sistema imunitário forte são o suficiente para combatê-lo.

 

Tenho tentado - desde que fui ao reiki - reformular as minhas frases. Adoptei sinónimos e palavras novas. Redecorei a casa e o espaço de trabalho. Fiz uma limpeza ao roupeiro. Comprei umas peças novas. Pintei e cortei o cabelo. Filtro muitas chamadas e mensagens. Tenho tentado todas as mezinhas possíveis para accionar o reset que não vem. Acho que preciso de uma viagem para quebrar a rotina. No fundo, no fundo, preciso de alguém que chegue ao pé de mim e diga: "anda, vamos viajar" (excluindo o meu "amigo", claro). Não alguém que pergunte, ao invés, "sempre vamos fazer alguma coisa?" Sinto que a responsabilidade das coisas acontecerem - e de algumas relações se manterem - fica sempre do meu lado. Se eu não me esforçar por essas pessoas, o que é que elas estão dispostas a fazer por mim? Ando a deambular muito por estes pensamentos. Aliás, já tinha partilhado isto aqui. Não imaginam como o processo me tem consumido e esgotado. Como se isso não bastasse, estou a preparar a primeira participação da minha marca numa exposição comercial local. Tentei aplicar aos negócios a mesma resolução pessoal: dizer que SIM a coisas novas. Até agora isso só implicou dores de cabeça - muitas - e dinheiro a sair dos bolsos - bastante - mas, lá está, se veio até mim é porque é para mim. Agora está feito, não posso voltar atrás. 

Hoje fiz uma coisa (nova) que queria fazer faz tempo: reiki. Não custa tentar, pois não? Continuo disposta a experimentar coisas diferentes, nem sempre surge oportunidade (aka coragem). O reiki veio mais ou menos até a mim - num contexto tranquilo e  pacifico - e não me foi dificil dizer que não. Como já vos disse, tenho considerado tudo o que chega até mim um must try. Dúvidas existem sempre. Até que ponto um terapeuta - a tocar-nos em diversos pontos do nosso corpo - é capaz de nos fazer sentir melhor? No entanto, a possibilidade de pararmos uns minutos, sairmos das nossas cabeças e reflectirmos sobre a nossa energia e a sua respectiva fonte de alimentação talvez seja o maior desafio que o reiki (nos) coloca. Já experimentaram alguma vez? Qual é a vossa opinião?

 

Estou a pensar nisto como um processo. Quando nos queremos alimentar melhor, ter consciência do que comemos e onde podemos ir buscar os melhores nutrientes, o que é que fazemos? Recorremos a um nutricionista, certo? Quando estamos com problemas a gerir emoções recorremos a quem? Ao psicólogo. O reiki parece-me o equivalente, mas para os fluxos de energia... e eles são tão importantes quanto o resto. Se me pedissem uma palavra para descrever como me sinto agora, acho que a melhor palavra seria vazia. Sinto-me completamente vazia. A tristeza que trago em mim persiste porque obviamente as minhas fontes de alimentação - sejam elas quais foram - não estão a funcionar. Sinto que a maioria das relações que mantenho não são capazes de me realimentar, funcionam nunca única via. Isso leva a sentir-me também abandonada. O reiki explica que quando as fontes de alimentação habituais não estão a funcionar é o primeiro aviso para procurarmos outras. Quando começamos a identificar necessidades diferentes significa que não vibramos mais com aquilo que nos rodeia, a dita evolução. A evolução não tem sido um caminho feliz (pelo menos para mim). O abandono, esse, vem normalmente da herança familiar. O reiki chama-nos a atenção também para a forma como falamos connosco, para o tipo de linguagem que utilizamos. É uma experiência muito analítica e bastante imersiva (para quem se dá ao trabalho). Acho que nos pergunta essencialmente se temos actuado - de corpo e alma - de acordo com aquilo que desejamos. Deve ser isso o que as pessoas chamam de "manifestar". É óbvio que eu não tenho feito nada de acordo com nada, mas pelo menos (e tal como disse o terapeuta) estou consciente disso. 

 

Coincidências estranhas ou não: estávamos a falar de identidade e a utilizar nomes próprios como exemplo, um feminino - o meu - e um masculino escolhido como exemplo pelo terapeuta. O nome que ele utilizou - sem saber absolutamente nada da minha vida - foi o do meu ex. Ressoou bastante em mim porque o meu ex foi das pessoas que mais energia me sugou nesta passagem pela terra. Ele, a minha mãe, a minha irmã, umas quantas amigas. Aliás, há pouca gente à minha volta que acrescente. Que pergunte primeiro por mim. Que ofereça ajuda. Sinto sempre que me tiram, que levam e não repõem. Fisicamente não senti nada de estranho, a vibração das mãos durante o toque, calor perto dos chacras, um ou outro ligeiro formigueiro e vontade de sorrir mesmo de olhos fechados. Disse-me que me faltava espírito (quando eu achava que era coração) e que eu tinha uma alma velha (o que também não é novidade porque sempre me senti velha) e disse-me que eu era uma pessoa muito intuitiva (o que também bate certo com a minha percepção). O suposto chacra mais bloqueado - não, não é o do sexo - é o chacra do plexo solar ou umbilical, o chacra do "eu faço" onde nasce a auto-confiança (coisa que a pessoa faz parecer que tem, mas não tem assim tanto) e a capacidade de agir e tomar decisões. Quando este chacra está desequilibrado surgem sentimentos de impotência, medo de rejeição, insegurança, falta de energia para realizar tarefas e procrastinação. Recomendou-me meditar (coisa que eu também não costumo fazer).

 

Ainda assim, ao longo do dia de hoje, dei por mim a proferir vários mantras - eu vou conseguir, eu sou capaz, a minha fé é grande, a minha fé é grande. Se os actores decoram papéis assim, se eu repetir muitas vezes a mesma coisa também sou capaz de interiorizar isso. Estou a tentar mudar o discurso interno. Mimar-nos todos nós sabemos como, tratar-nos já não. Talvez tenha de começar por aí. Foi uma experiência interessante. Veremos que ecos deixará em mim e o que consigo fazer com ela. 

Aviso: isto é um dark-post. A primeira depressão que eu tive atropelou-me aos 30. Eu sabia que os momentos menos felizes também faziam parte da vida, só não estava consciente da forma impiedosa como eles nos podiam paralizar. Vivi muito tempo em looping até finalmente procurar ajuda profissional: psiquiatra e psicólogo. A vida - que eu tinha escolhido e para a qual tinha trabalhado - era uma decepção. Lembro-me perfeitamente de ir para cama a chorar e acordar da mesma forma. Uma cena que se repetia todas as noites. E todas as manhãs. Fui deixando de funcionar gradualmente. E tinha - aparentemente - tudo. Emprego estável, namorado, casa própria. Nenhuma dessas coisas me fazia feliz. Quando ganhei coragem - com a ajuda dos profissionais, claro - para mudar de vida (despedir-me, acabar a relação, deixar a casa), adoeci. O desfecho não podia ter sido outro. As hipóteses de sobreviver eram reduzidas. Fui engolida por um tsunami. A doença, os médicos, os exames, os hospitais, o ex a ligar-me, os amigos que não sabemos mais quem são. Gente que entrou, saiu, passou e eu nunca percebi porquê. Sentia-me um espectador. O meu nome só interessava aos médicos e aos técnicos das análises. O "meu momento" nem sequer pôde ser meu. Foi tremendamente duro. Por mais terapia que faça não sei se isto algum dia irá sair de mim. 

 

Ninguém fala do depois. Dos sobreviventes. De quem fica. Do viver com a doença e para além da doença. Das reconfigurações. Um exercício muito semelhante a arrancar a própria pele e esperar que nasça outra. Mais bonita claro. Ninguém aceita que possa ser só mais ou menos bonita. Quem sobrevive tem de ser o herói, tem de ter feito algo espectacularmente bestial. Sobreviver não basta, pois não? Ando nisto há 10 anos e acho que fiz muito e bastante neste intervalo. Aguentei as provocações do ex, os amigos que desapareçam, os familiares que me magoaram, os patrões que me dispensaram. Fundei um negócio, comecei a treinar e a alimentar-me melhor, priorizei-me, esforcei-me muito para viver a vida que tinha imaginado a melhor para mim. Não me considero optimista. Nunca consigo pensar no bom, no fácil, no grátis. É uma formatação. O minimo que eu consigo é considerar-me uma pessoa com sorte porque a tive (no meio de todo o azar). Então eu acho que é muito legítimo estar cansada, irritada, defraudada. Um amigo meu, com quem falava outro dia, dizia-me que sentia que a vida lhe devia algo. Que nós (os que estão doentes ou já estiveram), vamos achar sempre isso. Que alguém nos tirou alguma coisa e nos deve alguma coisa. E talvez seja exactamente isso. Neste momento, acho que me devem várias coisas e todas elas boas. Sair à rua todos os dias com cara de quem lhe devem alguma coisa não é lá muito fixe. Mas devem. Porra, devem. 

 

A história repete-se. Como é natural. Tenho resistido e rejeitado a ideia de que estou bastante triste, mas a verdade é que estou. Sinto os dias pesarem-me muito. Também sei que isso faz parte da vida e que não dura para sempre, mas está a ser dificil. Mais uma vez, outra vez, não tenho nada de que me possa queixar, mas sinto uma tristeza enorme dentro de mim. O Inverno não ajuda, a altura do ano também não. Eu faço tudo - juro - o que dizem ter efeito. Nada está a resultar. E não, não quero sentar-me outra vez no sofá do psicológo e contar-lhe a minha vida. Tenho a sensação que todas as pessoas que passam por mim me arrancam um bocado e vão-se embora. Talvez eu seja uma espécie de divindade. Curo todos os males, menos os meus. Não tenho neste momento um amigo que me ligue a troco de nada ou tenha a decência de me perguntar como é que eu estou. Nem é pedir muito. Apenas um. Quando precisam de mim, lembram-se. Quando eu adoeci houve muita gente que não aguentou comigo e com razão. Um dia,  uma amiga que não me dizia nada há muito tempo ligou-me (porque a minha mãe lhe tinha pedido, claro) a sugerir que jantássemos no dia do meu aniversário. Respondi-lhe que não, ela insistiu e eu fui tentando fugir à questão até que ela me deixou sem saída: "tu desapareceste da minha vida e eu não consigo sentar-me numa mesa contigo, não faz sentido". Como se isso não bastasse, ela remediou o caso com um "não sei quando é que estás bem e queres fazer alguma coisa" ao que respondi: "e por acaso perguntaste? Pegaste no telefone para saber? Não, pois não?". Voltar à vida depois disto é foda. 

 

Também sei que isto é o estado actual das coisas. A incapacidade de se fazer algo pelo outro. Quando me enfiei no meu carro, gastei gasolina, fiz alguns quilómetros num dia de chuva, vento e frio, numa sexta-feira à noite, depois de uma semana de trabalho cansativa e fui jantar com o R. esperava o minimo. Ainda lhe paguei o jantar porque a ideia tinha sido minha e porque ele já me tinha falado das dificuldades económicas com as quais se debatia. Quando cheguei a casa, minutos depois de ter tido sexo com ele, ele já tinha postado um story em que revelava uma mensagem anónima que alguém lhe tinha enviado "gostava de estar contigo mais vezes" com a resposta "experimenta pedires". Eu não esperava muito, já o disse, mas uma parte de mim morreu nesse exacto instante em frente ao ecrã. Eu era só - sou só - uma miúda de 40 a tentar acreditar em alguma coisa boa. Nem sempre acredito, mas às vezes acredito e essa é a parte que me custa mais. 

Eu ando sempre a brincar com os esoterismos (muito ismos) da minha vida, mas ontem li isto a respeito do meu signo:

"Tem existido, ultimamente, muita energia negativa à tua volta. Pode vir de ti próprio ou dos outros. Talvez tenhas o coração partido, outra vez, e está a custar-te muito juntar os pedacinhos todos. Talvez andes a duvidar demasiado de ti e vivas atormentado pela síndrome do impostor. Seja o que for que estejas a passar, este novo capítulo da tua vida exige que deixes todo o sofrimento para trás. Tens de te perdoar ou apenas esquecer e seguir. A negatividade está a pesar-te demasiado e puxar-te para o fundo, mas lembra-te como és resiliente. Existem coisas melhores à tua espera assim que encontrares paz".

Ouch! Honestamente, não me tinha dado bem conta como me sinto tão partida, mas isto ecoou bastante na minha cabeça.

F#da-se.

Estava aqui a pensar em "sinais". Cenas esotéricas propriamente falando. Aquelas que normalmente apelidamos de coincidências ... ou destino. Acreditam nelas? Dão-lhes importância? Não sei se é uma coisa mais só das mulheres ... mas que as há, há! Estava a pensar nisso porque outro dia fui ao supermercado e o rapaz que estava a reabastecer a fruta tinha uma tatuagem igual à do R. exactamente no mesmo sítio da do R. Uma pessoa já não pode ir à fruta descansada. Qual seria a probabilidade? Será que esta tatuagem é a último grito da moda e eu estou completamente desactualizada? Não nos esqueçamos que a criatura tem 25 anos de idade, portanto 15 anos de diferença dá para eu estar mais do que desactualizada! Esta parte especifica do livre arbitrio - de sermos nós a escolher que sinais seguir - é a mais complicadita, não é? No entanto, desde que o deixei de seguir tenho resistido ... até porque não há muito a fazer, pois não? 

 

Se vivemos os dois no mesmo sítio, apenas a alguns quilómetros de distância e nunca mais nos voltámos a cruzar, isso também deverá querer dizer alguma coisa, não? Pode ser um "sinal" do destino ... A probabilidade de nos cruzarmos é alta e simplesmente nunca aconteceu (pelo menos até agora). E se calhar nem é boa ideia acontecer, portanto não vamos falar do assunto (ultimamente tudo aquilo em que penso, acontece). Sabem quando falam de uma pessoa e a seguir cruzam-se com ela? Ou pensam num determinado tema e alguém vos vem falar disso? Acontece-me a toda a hora, sempre me aconteceu. Eu sei que somos seres extremamente sugestivos, mas por vezes são coisas tão imediatas que (me) assustam ... daí acreditar que há um fio qualquer que nos puxa para determinados lugares em determinadas alturas. A grande questão é: se isso me acontece a toda a hora porque carga de água é que nunca consegui manifestar e ser bem sucedida, o desejo de ter namorado? Eu e o cosmos temos umas coisitas para resolver, ai temos, temos. Tudo o que leio sobre o meu horóscopo é assustador. 2025 implica mudanças e eu resisto bastante a elas. Muitos conselhos para abandonar velhos hábitos, padrões e comportamentos. Para cortar com aquilo que já não me serve. Para abraçar o inesperado e o novo. Fala também em pessoas do passado (QUEM?!) voltarem à minha vida... Passado-passado, passado-recente? Eu sei lá o que é passado? 20 anos? 10? 5? Os astrólogos deviam ser mais precisos, ora bolas! Preciso de datas!

 

Qual é então a estratégia que eu tenho tentado seguir: dizer que sim a quase tudo. É uma estratégia definitivamente estranha, mas como vos disse antes, quero zerar o meu karma. E é - também - a única estratégia possível quando a pessoa está a roçar o desespero. Não pensem que perdi muito tempo a arquitectá-la, era o que havia à mão. Sempre que alguém me convida para um programa ou me propõe alguma coisa, eu desligo o cérebro 2 segundos e penso: "espera, não respondas já que não, se isto surgiu é porque é um sinal". Não sei por que caminhos é que mestou a meter, mas a pessoa quando chega aos 40 só pensa: "vamos miga, falta pouco para a menopausa!" por isso tenho tentado aceitar o que o universo me põe à frente e isso está fechado. Será o grande exercício do meu ano: dizer mais que sim e menos que não. E dar uma verdadeira oportunidade a tudo: às coisas, às pessoas, a seja lá o que for.

Tomei várias decisões recentemente. Uma delas agora mesmo. Hoje. Acabei de entrar no facebook do R. e cliquei no botão "Não seguir". Foi um impulso. ENOUGH IS ENOUGH. Sinto-me cansada. Não posso continuar a dar força ao meu lado "lunar". Ele seguiu em frente, não seguiu? Então vamos (tentar) virar mesmo a página. Várias pessoas sugeriram-me fazer isso e eu achei que devia realmente dar ouvidos àquilo que me estavam a dizer (coisa que não é costume). Também estou cansada de ser teimosa (e comecei a ver Baby Reindeer, o que pode ter-me influenciado). Porque não experimentar um defeito diferente em vez deste? Não quero sentir-me uma stalker, mas acima de tudo não quero ter esta sensação da vida a passar-me à frente do nariz. 

 

Começo a ver mudanças, minúsculas - tiny tiny - mas importantes. Estou a descer um pouco o muro, pedrinha a pedrinha. Depois de um Janeiro bem introspectivo, prometi à mim mesma que ia tentar zerar o meu karma... Honestamente, não sei se aguento voltar noutra reencarnação, portanto vou portar-me bem para ver se esta é suficiente. Sinto que estou a abandonar velhos padrões e fantasias que sempre me impediram de viver a realidade. As relações não são perfeitas, mas se eu continuar a não pedir desculpa e a não dizer como me sinto e simplesmente a fugir, elas nunca serão. Experimentei fazê-lo com uma amiga com quem não estava em bons termos. Ensaiei o discurso em casa e quando a vi, toquei no assunto. Superei as minhas dificuldades e para meu espanto (que estou pouco à vontade nestas coisas), correu tão bem ou melhor do que o que eu tinha imaginado. Pedi-lhe desculpa por tê-la feito sentir-se mal quando eu é que não tinha estado bem. Fi-la sentir-se horrível porque me sentia péssima e não podia de forma alguma permitir que ela continuasse a acreditar que era uma má pessoa por aquilo que me tinha feito. Eu não estava zangada com ela, estava zangada com um série de pessoas, inclusive comigo e culpei-a a ela num momento de desespero e de raiva quando na verdade, o que ela fez, representava um gafanhoto. Faz parte do caminho assumir as nossas culpas e eu tenho algumas.

 

Se eu o R. tivermos obviamente que nos cruzar porque o gajo que escreve o guião achou que sim, isso há-de acontecer. E quando acontecer, logo se vê. Quando nos conhecemos, eu não lhe disse o meu apelido nem lhe dei o meu facebook. Dei-lhe apenas o contacto telefónico e disse-lhe que não ia responder se ele enviasse mensagens. Disse-lhe também que se ele me encontrasse, pagava-lhe um café. Levo-o no melhor sítio onde pode estar: no meu coração, mas preciso muito de seguir porque isto está a corroer-me e  cansar-me.

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