Hoje fiz uma coisa (nova) que queria fazer faz tempo: reiki. Não custa tentar, pois não? Continuo disposta a experimentar coisas diferentes, nem sempre surge oportunidade (aka coragem). O reiki veio mais ou menos até a mim - num contexto tranquilo e pacifico - e não me foi dificil dizer que não. Como já vos disse, tenho considerado tudo o que chega até mim um must try. Dúvidas existem sempre. Até que ponto um terapeuta - a tocar-nos em diversos pontos do nosso corpo - é capaz de nos fazer sentir melhor? No entanto, a possibilidade de pararmos uns minutos, sairmos das nossas cabeças e reflectirmos sobre a nossa energia e a sua respectiva fonte de alimentação talvez seja o maior desafio que o reiki (nos) coloca. Já experimentaram alguma vez? Qual é a vossa opinião?
Estou a pensar nisto como um processo. Quando nos queremos alimentar melhor, ter consciência do que comemos e onde podemos ir buscar os melhores nutrientes, o que é que fazemos? Recorremos a um nutricionista, certo? Quando estamos com problemas a gerir emoções recorremos a quem? Ao psicólogo. O reiki parece-me o equivalente, mas para os fluxos de energia... e eles são tão importantes quanto o resto. Se me pedissem uma palavra para descrever como me sinto agora, acho que a melhor palavra seria vazia. Sinto-me completamente vazia. A tristeza que trago em mim persiste porque obviamente as minhas fontes de alimentação - sejam elas quais foram - não estão a funcionar. Sinto que a maioria das relações que mantenho não são capazes de me realimentar, funcionam nunca única via. Isso leva a sentir-me também abandonada. O reiki explica que quando as fontes de alimentação habituais não estão a funcionar é o primeiro aviso para procurarmos outras. Quando começamos a identificar necessidades diferentes significa que não vibramos mais com aquilo que nos rodeia, a dita evolução. A evolução não tem sido um caminho feliz (pelo menos para mim). O abandono, esse, vem normalmente da herança familiar. O reiki chama-nos a atenção também para a forma como falamos connosco, para o tipo de linguagem que utilizamos. É uma experiência muito analítica e bastante imersiva (para quem se dá ao trabalho). Acho que nos pergunta essencialmente se temos actuado - de corpo e alma - de acordo com aquilo que desejamos. Deve ser isso o que as pessoas chamam de "manifestar". É óbvio que eu não tenho feito nada de acordo com nada, mas pelo menos (e tal como disse o terapeuta) estou consciente disso.
Coincidências estranhas ou não: estávamos a falar de identidade e a utilizar nomes próprios como exemplo, um feminino - o meu - e um masculino escolhido como exemplo pelo terapeuta. O nome que ele utilizou - sem saber absolutamente nada da minha vida - foi o do meu ex. Ressoou bastante em mim porque o meu ex foi das pessoas que mais energia me sugou nesta passagem pela terra. Ele, a minha mãe, a minha irmã, umas quantas amigas. Aliás, há pouca gente à minha volta que acrescente. Que pergunte primeiro por mim. Que ofereça ajuda. Sinto sempre que me tiram, que levam e não repõem. Fisicamente não senti nada de estranho, a vibração das mãos durante o toque, calor perto dos chacras, um ou outro ligeiro formigueiro e vontade de sorrir mesmo de olhos fechados. Disse-me que me faltava espírito (quando eu achava que era coração) e que eu tinha uma alma velha (o que também não é novidade porque sempre me senti velha) e disse-me que eu era uma pessoa muito intuitiva (o que também bate certo com a minha percepção). O suposto chacra mais bloqueado - não, não é o do sexo - é o chacra do plexo solar ou umbilical, o chacra do "eu faço" onde nasce a auto-confiança (coisa que a pessoa faz parecer que tem, mas não tem assim tanto) e a capacidade de agir e tomar decisões. Quando este chacra está desequilibrado surgem sentimentos de impotência, medo de rejeição, insegurança, falta de energia para realizar tarefas e procrastinação. Recomendou-me meditar (coisa que eu também não costumo fazer).
Ainda assim, ao longo do dia de hoje, dei por mim a proferir vários mantras - eu vou conseguir, eu sou capaz, a minha fé é grande, a minha fé é grande. Se os actores decoram papéis assim, se eu repetir muitas vezes a mesma coisa também sou capaz de interiorizar isso. Estou a tentar mudar o discurso interno. Mimar-nos todos nós sabemos como, tratar-nos já não. Talvez tenha de começar por aí. Foi uma experiência interessante. Veremos que ecos deixará em mim e o que consigo fazer com ela.