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O Sexo e a Periferia

Entre a Carrie Bradshaw e a Bridget Jones. Com muito menos glamour, é claro.

BIG-HUGE-PLOT-TWIST!

 

Sinto que 2025 é de facto um pivot year para mim. Seja o que Deus quiser (o tipo que escreve o guião para quem acredita). Não tenho falado dos assuntos domésticos, mas posso dizer que o ano começou com conversas dificeis. Uma delas com o senhorio da casa onde vivo. Lembrou-se de aumentar a renda e eu - não querendo voltar para casa dos meus pais - tive de negociar o valor. Chegámos a um acordo - não muito feliz para mim, não muito feliz para ele - mas é o que há. Voltar a viver com os meus pais - dois reformados que ao fim de 70 anos ainda não encontraram um propósito na vida - não é uma opção (embora fosse o que eles gostavam muito que acontecesse). Pedi um tempo para processar a ideia (mesmo não gostando dela) e acabei por me chegar à frente depois de ouvir o eterno argumento que destrói qualquer tipo de negociação indivdual:"duas pessoas pagariam mais". A vida para os solteiros é pesada.

 

Uma amiga minha, recém divorciada, diz que ligou o modo "foda-se", eu liguei o "go with the flow". O horóscopo avisou-me, várias vezes, que este seria o ano de abandonar todas as expectativas e abraçar o mundo fora dos planos. Como se tudo o que já aconteceu não fosse bastante, o senhorio - do espaço onde tenho implementado o meu negócio - disse-me há poucos dias que irá precisar dele, ou seja, convidou-me a sair quando me for possível. I didn't see that coming. O espaço onde estou actualmente - assim como a casa onde vivo - foram aquilo que podemos chamar de achado. Sinto-me muito bem onde estou e não fazia intenções de me mudar, agora a vida vai obrigar-me a isso e não vale a pena resistir, o que é que eu posso fazer? N-A-D-A. São mudanças impostas e eu vou ter de lidar com elas, mas já-já não me apetece muito.

 

Decidi deixar tudo o que é pendência para depois das férias. Aliás ainda nem fui de férias, já marquei as próximas. Estou a fazer de conta que está tudo bem e na verdade está. Basta lembrar-me há 5 anos atrás quando não sabia o que fazer, a sorte que tive em encontrar um espaço assim. Se a vida me está a trocar as voltas outra vez é PORQUE SÓ PODE TER COISAS MELHORES PARA MIM. Na verdade, na verdade, não faço a minima ideia do que é que vou fazer e como vou fazer, mas... não estou aflita nem em pânico. Eu sei que tenho capacidade para encarar o desafio, só não sei como. Tenho várias hipóteses, mas honestamente não sei se evoluir significa obrigatoriamente crescer. Comecei o meu projecto em casa e depois dei o salto para a rua e agora não sei se não faria sentido voltar às origens. Não, não quero voltar a trabalhar em casa, mas também não sei quero investir num espaço maior. Já vi isto acontecer com outras marcas e tenho algum receio que o crescimento deturpe a essência original das coisas. Há muito em que pensar e isso é o que me aflige mais. Sinto que estou sem ideias. Como é que poderei continuar a ser inovadora? 

 

O problema da renda seria facilmente resolvido com um companheiro com quem dividir as despesas. Daria muito jeito, óbvio, e eu gostava de passar por essa experiência. Eu gostava de passar por todas as experiências que as pessoas utilizam como arma de arremesso para gozar comigo, mesmo que digam disfarçadamente que é "apenas uma brincadeira". A minha irmã, por exemplo, já suportou imensas relações de conveniência porque nunca foi suficientemente funcional para se auto sustentar. Prefere depender a não trabalhar, o que a minha mãe fez toda a vida e a levou a ficar presa num casamento infeliz e pouco saudável. De vez em quando, nas conversas muito esporádicas que mantemos, solta um "tu não sabes o que é viver com alguém", "falta-te muita maturidade nas relações", "boa sorte com as tuas dietas, já tentaste de tudo", "que Deus te continue a dar muita força para manteres essa disciplina toda"... isto soa tóxico, não soa? Ser bem sucedida como sou, disciplinada e devota aos meus compromissos e ainda ter uma relação seria o golpe misericordioso para quem me acha um mistério e um fenómeno. Não é uma tentativa, é um estilo de vida, uma escolha que faço todos os dias e eu achava que aqueles que me querem bem deviam incentivar-me e não criticar-me. A toxicidade da minha irmã vem obviamente dos meus pais, eles também acham "estranho" tudo o que como, um "exagero" tudo o que faço e uma "falta de educação" tudo o que não lhes conto. Na minha família as relações sempre foram mantidas com rédea curta, controlo e dependência e não com amor. Infelizmente nenhum deles compreendeu ainda que aquilo que eu faço está ao alcance de qualquer um. A solidão mais pesada de carregar na minha vida vem justamente do facto de sentir que para a minha família eu sou dificil. É por isso que eu não convivo muito com os meus. Nem insisto. Sempre que tento sou magoada e I'm so tired of this shit. Nem lhes contei as novidades e não sei se o faça. A luta é minha, portanto, preciso de paz e silêncio para me conseguir ouvir. 

 

Agora faz tudo sentido, os hóroscopos (para quem acredita, claro). Que ano vem por aí abaixo... mas sabem uma coisa: continuo acreditar que tem grandes coisas guardadas - não só aumentos de renda - tem AMOR também. Não sei onde, não sei quando, mas tal como eu não vi muita coisa chegar, ele VAI APARECER. 

Andam-me a acontecer coisas estranhas. Estranhas-não-más-nem-péssimas-mas-estranhas. Assim um bocadinho esquisitas. A brincar, a brincar, se calhar o Reiki foi mesmo eficaz e os chacras bloqueados desentupiram todos. Primeira coisa estranha: tenho sonhado imenso com o meu passado e pela primeira vez em muito tempo não são pesadelos. São mesmo sonhos, eu diria mensagens. Sonhei com o meu ex a entrar num autocarro e a dizer-me adeus e sonhei também com uns chefes medonhos - que me fizeram a vida negra e com quem costumava ter pesadelos recorrentes - a convidarem-me para nos sentarmos todos a uma mesa. Este personagens foram - em tempos idos - traumatizaram-me muito. Retive a lembrança dos sonhos porque não me metiam medo. Foram episódios pacíficos (e não costumavam ser, nem mesmo a dormir). Sinto, alegoricamente falando, que talvez signifiquem uma despedida simbólica. 10 anos depois o poder deles sobre mim talvez não exista mais. Segunda coisa estranha, para além de sonhar com pessoas do meu passado, também as tenho visto. Há uns dias, fui tomar o pequeno almoço com o rapaz com quem perdi a virgindade há 20 anos. Bom, não fui com ele, mas ele estava na mesma sala do que eu, no mesmo espaço. Ele vive fora e portanto, não é comum vermo-nos. Como é que vocês se sentiriram se vos acontecesse o mesmo? Será que significa que o reset está feito? Que voltei às definições de origem?

 

Ao longo dos últimos 10 anos há outra pessoa que continua a aparecer na minha vida. Desta feita, virtualmente, nas sugestões de amigos do facebook. Será obra do algoritmo ou do destino? Sabem quem é? É o da raspadinha, o que descrevi como tendo sendo a primeira pessoa que me mostrou que eu podia ser vulnerável sem que isso fosse usado contra mim. O que colocou a fasquia alta e que fez com que tudo fosse mágico ao ponto de ter sentido que só tinha começado a valer a partir daí. Já conheci outras pessoas, já houve gente a entrar e a sair e quem me continua a aparecer nas sugestões é ele. Deixei de acreditar que nos poderíamos cruzar por aí. O aeroporto é o cenário onde imagino que poderia acontecer. Aliás, confesso, sempre que passo pelo aeroporto de Lisboa que penso nele, mas quem cumpre a missão, nunca mais volta, certo? Contudo, acho graça que me apareça sistematicamente no feed, parece um alerta: menos do que isto, não aceites.

 

Tenho falado muito e com muita gente sobre coisas que não costumo falar. Estou muito mais disponível do aquilo que estava antes. Acho também que estou mais presente, mais alinhada, já não crio tantas expectativas sobre as coisas e as pessoas e estou muito mais feliz e serena. Limito-me a desfrutar do que elas são e não resisto ao processo. Se é assim é porque tem de ser e porque a vida me quer mostrar as coisas dessa forma. Estou a aderir a coisas novas sem pensar muito e a colher os frutos dos meus esforços. No fim deste mês vou viajar e sabem com quem? Com uma colega que fazia parte do grupo do ano passado. O tal grupo de pessoas com quem tinha receio de viajar. Fantástico, não é? 

 

Sinto que - não querendo já atirar foguetes antes da festa - não estou atormentada pelos medos e pelas perdas. Não tenho nenhum receio muito válido e talvez seja aqui, a este lugar, que todos precisamos chegar quando queremos realmente viver no aqui e agora. Estou quase a terminar a primeira volta dos 40. E, olhem, a vida presta.

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