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O Sexo e a Periferia

Entre a Carrie Bradshaw e a Bridget Jones. Com muito menos glamour, é claro.

Mandei o de 27 esperar sentado. Não desci tão baixo. Não o faria. Uma pessoa - por mais desesperada que esteja (acho que me posso chamar isso) - continua a ter parâmetros. A conversa dele foi PÉSSIMA. A postura PIOR AINDA. Não me surpreende. No geral, estão todos à espera. Quando abro a app o que mais vejo são pop ups a sinalizar "a tua vez". Não há nenhum match digno de resposta. Neste momento são pr'aí uns 12 em lista de espera. Ad eternum. Continuo a fazer swipe só porque sim. A minha idade já não me permite responder a "bons dias alegria". Nunca me permitiu na verdade. Quero acreditar que isso não me acontece só a mim. Na verdade, acho que as apps são para isso mesmo. Para sacar dinheiro aos tolinhos e para não se chegar a nada com várias pessoas. Também acho que lá de vez em quando calha-nos a fava, uma coisinha mais ou menos sana só para acreditarmos que a tecnologia pode poupar-nos uma série de etapas. É mentira. Não nos poupa de absolutamente nada. No entanto, continuo a achar que há um lado extremamente positivo.

 

Antes de lá ir, tenho que vos contar outra coisa. As cordas chegaram. O que é que eu fiz? Vocês já sabem. Avisei-o. O outro. O de 30. Ponderei muito antes de. Fiz até uma sondagem entre amigas. As jovens na casa dos 30s diziam-me para não avisar, as não tão jovens na casa dos 40s diziam-me para tentar. Achei curiosa a divisão de opiniões por faixa etária. Eu queria arrumar o assunto. Bullshit. O que eu queria, queria, era desenterrar o assunto embora o prazo de validade já tivesse vencido. Incomoda-me bastante ficar com utensílios que foram introduzidos na minha vida por alguém que não está na minha vida. Nem como amigo sequer. Comecei a ponderar não enviar, mas enviei assim mesmo. Às vezes precisamos de encerrar merdas que nunca chegaram a começar. Não posso não admitir que também queria obviamente lembrá-lo da péssima prestação que teve, o que não deixaria de ser uma provocação. Do ponto de vista sociológico tinha curiosidade perceber com que tom me responderia, se me respondesse. Ao, "olá, a tua encomenda chegou, diz-me o que é que queres fazer", ele respondeu "duvido que as usaria, por agora estou apenas focado em mim, desculpa como tudo acabou". Vamo lá a ver uma coisa,  então duvida que usaria uma porcaria na qual me fez gastar dinheiro? Bonito.

 

Num primeiro momento achei a resposta positiva. Fiz uma leitura muito rápida da coisa sem recorrer ao google translator. Atenção que o tradutor vai ser importante mais adiante. Há tanta gente de quem esperei um pedido de desculpas que nunca o fez, que fiquei surpreendida que este aparecesse sem grande esforço. Respondeu e foi honesto. Bom, foi politicamente correcto. Honesto nós sabemos perfeitamente que não foi. Então, eu - armada em Madre Teresa de Calcutá dos Aflitos - escrevi de volta que agradecia a honestidade (porque se deve sempre reforçar e incentivar os comportamentos positivos e devia ter sido sempre assim desde o inicio desta fantochada), disse-lhe que lhe emprestava a porcaria das cordas quando ele se sentisse preparado para as experimentar (uma brincadeirinha com mensagem subliminar) e acrescentei - a parte de que agora ME ARREPENDO MUITO - que se lhe apetece falar um dia destes que me desse um toque, isto porque li a parte de estar focado em si como trabalho interno e porque pensei que ele podia estar a bater com a cabeça nas paredes. Crucifiquem-me ou beatifiquem-me porque eu já não sei o que é melhor. 

 

Sucede que ontem, devido à tensão pré-menstrual, as minhas hormonas mandaram-se por um tobogã abaixo. Daqueles infinitos, com bué curvas e partes escuras. E faço o quê? Vou ao google translator, coloco a resposta e vai que tudo me pareceu BEM DIFERENTE. Portanto, ele deixa claro que não está interessado em usar as cordas COMIGO, foi por isso que também fiz questão de dizer que lhas emprestava e a conversinha do "agora estou apenas focado em mim" é o equivalente ao "it's no you, it's me". Bem que uma amiga me disse que ele ia pensar - after all this time - que eu queria qualquer coisa com ele e toca de deixar claro que não está disponível, pois com certeza. Eu só queria mesmo responsabilizá-lo, recordá-lo e atordoá-lo. Não sei se consegui. Fico com a linha do "desculpa como tudo acabou" que é assim a única que me parece mais sincera. E pronto, mais uma noite no meu sofá a beber vinho. Nada de novo. Consigo perceber também que há obviamente uma estratégia de fuga nessa mensagem. Quando algo te incomoda, tu tiras da frente. O rapaz deverá ser muito mais tímido e inexperiente do que quer mostrar. 

 

Este episódio bizarro fez-me recordar um colega de escola. Vou chamar-lhe António Maria porque ele era muito beto e achava-se de sangue azul. Tão beto que quando se esquecia do equipamento para as aulas de educação física, recusava-se a utilizar roupa emprestada dos colegas porque não era de marca. Um ovo podre com quem infelizmente eu me relacionei. Era bully, gozava imenso comigo porque eu era cheinha, mas nunca ao ponto de pôr tudo a perder porque eu também era muito boa aluna e isso dava-lhe imenso jeito. Então ele insinuava um certo interesse por mim para sacar dividendos em relação aos trabalhos de casa e eu, parva, alinhava nisso porque ele era popular - não sei porquê - na escola. Andava sempre tão colado a mim que as pessoas começaram a pensar que nós tínhamos realmente alguma coisa. Fomos para a universidade juntos e um dia ele convidou-se para vir até à minha casa ver um filme. Numa questão de segundos estávamos os dois nus numa cama. Não percebo como é que isso aconteceu e... se repetiu. Não foram muitas vezes e as vezes que foram, FORAM PÉSSIMAS. As suficientes para perceber que NÃO FAZIA SENTIDO NENHUM. Claro que nenhum de nós os dois sabia o que estava fazer, mas eu sabia claramente que ele me estava a usar novamente. Seguiu a vidinha dele, foi estudar para a Suiça, França, Londres, para onde vão todos os de sangue azul com pilas horrendas e que não sabem fazer nada de jeito na cama. Casou com uma tipa qualquer de sangue azul também - que infortúnio - e teve um filho. Aqui há uns meses atrás, tentou meter-se comigo outra vez. "Desculpa ter desaparecido, mas a vida agora é mais complicada". Acham que eu respondi? Querido, nem dei pela falta. 

 

Isto para concluir que as pessoas sem noção voltam sempre a tentar o acesso. Os de sangue azul que sempre parasitaram à volta dos outros, os manipuladores como o meu ex que há uns anos me enviou um pedido para me seguir no insta, os loucos que te bloqueiam e voltam a pedir amizade. GENTE QUE NÃO VALE UM CARALHO. Este amigo, parece ser um António Maria. Não tão mau - estou a ser generosa - mas lá perto. Continuo no entanto a achar isto tudo uma experiência positiva. Fez-me andar p'ra frente. P'ra onde não sei, mas saí do sítio onde estava. Sinto-me com vontade de "adiantar serviço" como se costuma dizer. Mudei a decoração da casa de banho e comprei finalmente uma televisão! Ele pareceu-me tão chique que eu quis tapar o buraco que existia no móvel! Uma nota preta hein... maior do que a que gastei com as cordas. Ha Ha Ha. Estou até a considerar avançar com a adopção de um animal. Penso nisso há imenso tempo e nunca dei o passo em frente porque sempre me convenci de que não era capaz de tamanha responsabilidade ou de tal exercício de amor. De certa forma ele inspirou-me a fazer isso. Se uma pessoa como ele consegue, eu tenho a certeza de que também consigo. Afinal de contas é de amor que os bichos precisam. Acho que me faria bem ter uma companhia. Até proteína comecei a beber. Não adoro, mas é precisa para os meus objectivos. Como ele bem disse "hei-de experimentar tudo pelo menos uma vez na vida". Acho que é esse o lema que levo. E que me estava a fazer muita falta. Talvez existam pessoas que só aparecem para nos fazer subir de nível. (em diferentes domínios). No regrets. 

 

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