
Já passou uma semana desde a fatídica noite em que alguém perdeu o ego. Not me. O tempo está a passar realmente depressa... Tenho contado as últimas peripécias às minhas amigas e todas elas me perguntam, escandalizadas: "e tu, como é que te sentes?". Noto-lhes uma certa preocupação, quando eu - estranhamente - nunca me senti tão bem e isso é um bocado novidade por estes lados. Tive uma semana de bons looks - todos documentados para uma pessoa não se esquecer quando a inspiração faltar - e uma semana de bons treinos. Continuo a priorizar-me e estou MUITO, mas mesmo MUITO, satisfeita com os resultados. O fim de semana passado tive um date comigo mesma. Sushi, cerveja, música e velas. O plano perfeito para um sábado à noite em que não me apetecia fazer nnenhum. Estou a tornar-me a mulher dos meus sonhos e isso - por agora - parece-me delicioso. Vejo-me bonita, sexy, interessante. Eu fazia-me.
Antes de me envolver com alguém - não sei se isso vos acontece, mas acontece-me muito a mim - costumo ponderar sempre os possíveis danos colaterais. Como é que isso - caso corra mal ou caso corra bem - me irá afectar. Há muito tempo que estou a sentir a minha vida monótona, portanto não vou disfarçá-lo: eu ando deliberadamente à procura de uma aventura. O problema é que eu não sou uma pessoa de muitas aventuras, o que acontece é que às vezes perco as estribeiras e atiro-me de cabeça. Neste caso, atirei-me, não porque o outro me aliciasse muito, mas porque eu realmente queria. Desde o inicio que senti que não havia química entre nós e a química é a grande responsável por nos desgraçarmos... Não havendo isso - porque nós não temos dúvidas quando há - senti-me mais à vontade para me soltar. Era o desafio. Achei engraçado o facto dele ser mais novo, de ter nacionalidade e cultura diferentes e uma casa estupenda! É verdade. Não vou negar que a esta altura da vida eu sou bem capaz de me vender por um jacuzzi 4x4. Acho que foi isso que me agarrou: a casa e os dotes de culinária. Sim, porque no nosso primeiro encontro exigi um brunch e ele fez: panquecas e ovos mexidos, portanto nem tudo foi diabolicamente mau. E ainda tive direito a sessão de Netflix no sofá. Começo a pensar que meter-me com putos nas apps pode ser um bom bálsamo para a auto-estima.
As minhas amigas avisam-me, muito preocupadas, "não sejas mãezinha dele, não tem nada aí para ti". Mas por acaso eu estou à procura de alguma coisa que não seja uns belos fins de semana numa segunda moradia?! A falta de respeito dele não tem desculpa, mas já todos tivemos 30 anos, não já? E eu já fui tão f#did@ nesta vida por gente mais velha, que apesar de bizarro, este evento não me fere assim tanto. E ainda bem. É um sinal de que estou forte. E madura. Intriga-me, de uma perspectiva psicológica, mas não me tira o sono. Era uma experiência que eu queria voltar a ter: envolver-me com alguém sem sentir nada por essa pessoa. Chego à mesma conclusão de sempre: as relações - e principalmente o sexo - funcionam claramente melhor quando sentimos alguma coisa pelo outro. Qualquer coisa. No entanto, não é por isso que vou deixar de procurar uma queca sem sentimento. O objectivo é claro: fazer dos últimos meses antes dos 40 um laboratório. Recordo-me da minha entrada nos 30s: sentia-me perdida. Acho que todos nos sentimos. É por isso que não me vou chatear com um puto que sempre se dedicou ao trabalho, que apesar de novo tem um cargo de alta responsabilidade, que andou desde os 18 de um lado para o outro e que tem hora de dormir e de acordar como qualquer bom militar. Aos 30 eu também achava que se seguisse as guidelines que me deram, o sucesso estava garantido, até que descobri que não e passei a (tentar) seguir o coração. Aos 30 eu também não conseguia falar sobre os meus sentimentos nem sabia o que é que preferia na cama. Desconfiava, mas não tinha certeza. Ainda hoje me estou a descobrir e todas as experiências que contribuam para isso são bem-vindas. No regrets and no shame. Eu já fui ele, mas não quero ser mais. Eu quero viver este corpo e este sexo.
Eu sou da paz meus amigos. Porque é que eu me haveria de amargurar com isto? É óbvio que a ocitocina desce um pouco quando a pessoa percebe que foi "enganada". Que lhe prometeram muito e entregaram pouco. Ou quase nada. Mas também o que havia para entregar era a promessa de bom sexo. Promessa, claro. Ser lubridiado não é fixe, mas é menos grave se a pessoa que vos lubridiou estiver ainda mais enganada do que vocês e acho que nós, no papel de mais velhos, temos de relativizar isso. O que me atormenta na verdade - e isto vem mesmo do mais profundo de mim - é não ter tido oportunidade de experimentar o belo jacuzzi do menino. As vezes que eu me imaginei a entrar nele e a submergir-me na espuma enquanto as luzes estavam apagadas e as velas acesas. Para não falar na mesa da cozinha. Meu Deus, acho que se me deitasse em cima dela era bem capaz de ter um orgasmo instantâneo. Aquela casa mexia comigo. Mexia muito. Tudo bom design. Um verdadeiro desperdício. "Eu não uso o jacuzzi", como não usas o jacuzzi filho? Eu devia ter percebido que ele não usa nada. Como eu também não uso, né? E se fizéssemos um pacto: jacuzzi + pequenos almoços em troca de educação sexual? Ha Ha Ha. Olhem que eu me imagino a dar conta do recado. No fundo eu também acabei por me descobrir mais um pouco. I think I might be a little kinky... mais do que ele. O sonho americano não me derrete: um homem bonito, uma casa bonita, um cão bonito. Tudo bonito. Demasiado bonito. A portada perfeita da Architectural Digest. Não me derrete, mas... PODIA USAR.