
Então eu vou saltar assim uma data de acontecimentos pouco signficativos para ir directa ao assunto do momento. Ando a falar com um mocinho p'raí há uns 6 meses. Muito mocinho. Conheci-o nas apps no rescaldo do outro casinho (aquele do inicio do ano). Parece que andou por estes lados, de passeio, mas não nos vimos. Ao fim de um mês encontrámo-nos. Fui à capital em trabalho e combinámos um "date". Não foi bem um date, as minhas expectativas estavam nas lonas, só queria mesmo conhecer a pessoa com quem andava a falar. Não achei que tivesse corrido escandalosamente bem. Também não correu mal, foi meh. Levou-me ao Mac, o que achei pouco original. Deixei-o falar sobre o quis, o tempo que quis. Estava extremamente cansada. Não fiquei impressionada, mas também não fiquei irritada. O que me pareceu bastante bom. Achei-o boa pessoa. A parte em que falou da família foi verdadeiramente doce. E bonita. Senti carinho. Fisicamente diria que não faz muito o meu género, não é que eu tenha um género, mas ele sai fora do estilo de rapazes com quem andei até agora. Regressei a casa segura de que mais dia menos dia deixaríamos de falar.
Não aconteceu. Estamos "nisto" há 6 meses. Já inventei de tudo. Barbaridades. Disse-lhe que não tinha sentido grande química entre nós, que não apreciava o cabelo nem a barba, que ele não era assim lá grande coisa ao nível da conversa e que talvez fosse melhor investir em mulheres da idade dele (tem menos 8 do que eu). Genteeee, ele continuou a falar-me e é estranho. Honestamente estava à espera de ser corrida. Não fui. Não temos relação nenhuma, mas é como se eu sentisse que temos. Tão estranho... Há "bons dias" e "boas noites" e todo um protocolo diário que a criatura - por mais ocupada que esteja e por mais cenas desagradáveis que eu invente - não deixa de cumprir. E eu não queria admitir isto, mas quando ele não manda notícias, fico picada. Estão a ver, não estão? Na minha cabeça não faz sentido nenhum andar a falar com uma criança que ainda divide casa com amigos, vive a quilómetros de distância de mim e por quem eu nem sequer senti atração. Uma criança que já disse várias vezes que estava disposta a vir passar uns dias comigo para me conhecer melhor. Senhores o que é isto? Uma partida dos apanhados? Não estou a saber lidar. Juro. Ele tem obviamente algumas coisas das quais começo a gostar. Uma réstia de inocência (tão raro hoje em dia) e consistência. Até agora nunca teve nenhuma atitude que me deixasse confusa ou com dúvidas em relação ao interesse dele e se aconteceu, tratou de esclarecê-lo na hora. Para além disso, o pobre ainda "lidou" com as minhas crises como um senhor e isso arrumou-me a um canto. Que segurança sim senhor!
Quem é que em seu pleno juízo continuaria a falar comigo depois de tudo o que eu disse? Eu não falaria comigo própria. De certeza. Depois faz-me espécie... Uma cidade enorme cheia de milhares de tipas muito mais divertidas do que eu, muito mais simpáticas do que eu, muito mais disponíveis do que eu, porque é que a criatura continua a falar comigo? Não faz muito sentido, pois não? Não quero entusiasmar-me com, mas acho que estou assim meio entusiasmada já. E confusa. Assim de repente, vejo-me a abrir mão do cabelo e da barba e a esquecer o esfregão que o homem tem à volta da cara. No entanto, às vezes assusto-me. Começo a inventar-lhe defeitos. Muitos. Imensos. Terríveis. Depois lá vem um "bom dia" e esqueço tudo. Isto não tem boa cara, pois não?