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O Sexo e a Periferia

Entre a Carrie Bradshaw e a Bridget Jones. Com muito menos glamour, é claro.

(será mesmo o último? ah ah ah ah) Os dados que interessam: 

Os outfits:

Eu - umas leggings pretas (melhor compra da Zara de toda a história da moda) combinadas com uma sweat oversized but not too oversized e umas New Balance. Não lavei o cabelo porque não tive pachorra e achei que era um esforço em vão (o auge do entusiasmo eu). Ele - uns jeans, uma tshirt azul escura e um casaco de polipele. Os sapatos eram horríveis (umas botas tipo da neve) e o cabelo também não parecia lavado. Achei-o bonito no geral, um pouco mais gordo do que nas fotos da app. Tem os dentes alinhadissimos, uns lábios super delienados, bem esculpidos, másculos sem serem brutos. O cabelo solto e ondulado dá-lhe um ar diferente do comum (tem pinta de italiano, um querubim entre o surfistinha da linha e o intelectual de esquerda). Tem a barba rarefeita exactamente no ponto em que eu gosto e uns olhos castanhos que me intrigaram um bocadinho. Porquê não sei. Não são profundos. Nem brilhantes. São apenas bonitos. E doces. Tem 30 anos, é aquário (se isso interessar), licenciado, trabalha no estrangeiro e veio a casa passar o Natal.

O date: um pequeno almoço sugerido por ele - depois de termos falado uma ou duas vezes - num sítio e horário sugeridos por mim (começo a achar muito graça aos dates durante o dia!)

 

Overall Rating: 7/10 

Não foi espectacular, mas também não foi um desastre, foi normal acho eu. Considerando que eu também não estava super entusiasmada com o momento, acho a pontuação justa. Não o notei demasiado nervoso, parecia-me relaxado, conseguiu ser brincalhão sem parecer bronco e achei-o honesto em relação à informação que partilhou sobre ele. Ou seja, em comparação com o último date (o das cordas) em que o tipo passou o encontro todo em apneia, foi bastante menos tenso e muito mais suave (embora estivessemos num sítio neutro, claro). Fluiu naturalmente como deve ser uma coisa destas, sem grandes expectativas.

Green flags: Pediu desculpa ao inicio por não me ter dado atenção no dia anterior porque tinha tido um jantar com os primos. Admitiu que há imenso tempo que não estava com ninguém e que só tinha tido uma namorada a sério na vida e à distância porque segundo ele, "quando se gosta, faz-se o que é preciso". Nem sei bem se isto é uma green ou uma red flag... Fico sempre com o pé atrás. Ri imenso quando referiu que não gosta de se gabar porque normalmente quem o faz não faz nada daquilo que diz que faz e como todos os miúdos de 30 anos, deixou escapulir propositadamente que gosta muito de dar prazer a uma mulher (acho que a malta mais nova - quando está com uma mulher mais velha - sente a necessidade de deixar isso bem claro... mesmo que não saiba what it takes to, ah ah ah ah). Não houve nenhuma conversa do tipo "o que é que fazes na app" ou "o que é que procuras" e ainda bem. 

Red flags: Tem um historial familiar complicado sobre o qual não se abriu muito, não tem sido muito constante em termos de trabalho nos últimos anos, mas parece ter as ideias e o coração no lugar. Não é um grande conversador, escreve imensas vezes "ahahahah" como resposta às mensagens e a meio do date perguntou-me se queria combinar alguma coisa mais tarde, com mais tempo. Sugeriu que fossemos comer umas tapas, mas estou constipada e a arrastar-me, não me mostrei muito interessada. Voltou a enviar mensagem mais tarde a sugerir o mesmo e voltei a recusar educadamente. Não gosto que insistam muito nem que forcem a barra. Ele compreendeu. 

 

O que é que me agrada nele: embora seja prematuro, diria que é a abertura. É uma pessoa com vontade de fazer coisas. Que tipo de coisas não sei, mas é alguém que me vejo a convidar para uma caminhada e a aceitar. Acho que é gente para isso e para várias actividades, ao contrário do último, por exemplo, que só me chama para o atar à cama e satisfazer. Fisicamente não sei se houve um click. Acho-o bastante sexy nas fotos, mas ao vivo, as botas deram cabo do figurino que eu já tinha montado na minha cabeça. Tem uns traços bonitos, mas parece desleixado. Vejo potencial, mas precisa de um makeover. Embora pareça isso tudo, não me parece bruto nem plástico como o outro que era uma pedra (até a beijar). Parece flexível e maleável. Fiquei com essa ideia. 

O que é que não me agrada nele: o ar desleixado (pode ter sido hoje), a pouca criatividade nas mensagens (ainda não falámos o suficiente, mas...) e a pressa, no entanto até compreendo em parte. Vai-se embora dia 4 de Janeiro e está a fazer pela vidinha. Pode ser apenas um puto sem grande história e sem grande cabeça a tentar marcar um golo só porque apareceu a oportunidade. Não sei se me apetece arriscar mais um episódio traumático na vida, experiência não me parece que ele tenha muita, mas pelo menos não prometeu este mundo e o outro. Se ele se mexer direitinho talvez haja um segundo date. Depende dele. E dos adversários! To be continued.

 

Entretanto, continuo a falar com o do último post. O do vinho. Conversa da treta. Não desenvolve mais do que o básico, mas lá de vez em quando mete conversa. Dentro do género é provocadorzinho, mas só quer o óbvio claro. Já disse e referiu que sabe muito bem fazer o seu lugar e o que precisa ser feito quando está com uma mulher! Se eu ganhasse um euro por cada vez que um puto me diz isso... E quando eu achava que não podia descer mais abaixo dos 30, começa um de 25 a enviar-me mensagens. O que é que se passa minha gente?! Sinto-me um íman. Ah ah ah ah. Respondi-lhe educamente, mas não lhe dou muita conversa. É preciso ter calma e cuidado quando uma pessoa atravessa mares como estes nunca antes navegados (até porque a mãe da criatura é frequentadora assídua do meu estabelecimento e uma pessoa não se pode dar ao luxo de perder bons clientes). E como não há duas sem três, conheci outro miúdo numa festinha de Natal. Ele estava bastante bêbado já e eu não estava plenamente lúcida também, mas como nessa mesma festa / bar também estava o das cordas, deu-me jeito utilizar esse pequeno só para fazer uma ceninha.

 

Eu já desconfiava que mais tarde ou mais cedo me ia cruzar com o das cordas, assim como também desconfiava que ele não ia saber o que fazer quando isso acontecesse e que o mais provavel era evitar-me. Ou fazer que não me viu. Quando percebi que ele estava lá, passei uma vez perto da mesa dele só para marcar território, mas fiz que não o vi. O objectivo era ser vista e espalhar o pânico. Quando ele topou que eu lá estava, olhou várias vezes para a minha mesa, mas sempre a disfarçar. O mesmo que eu fiz. Depois de algumas bebidas, as minhas amigas decidiram ir dançar e eu que pensava que ia só tomar um copo e vir para casa, acabei a dar tudo na pista de dança. (grande ressaca no dia a seguir!). Quando passei por ele, ele virou as costas para fazer que não estava a ver eu ir nessa direcção, então aproximei-me dele por detrás e disse "é muito tarde para estares aqui a esta hora, não devias estar em casa?" e continuei a andar para a pista de dança. Apeteceu-me gozar um bocadinho com a situação... de ânimo leve, claro. Ele não disse nada, nem sorriu, nem brincou, ficou branco, petrificado, imóvel. Às tantas nem percebeu o que é que eu disse... Vi-o várias vezes na pista de dança, descontraído, a dançar, a beber, a divertir-se, sempre a dar nas vistas, mas eu não me fiquei por menos. Dei tudo e no fim da noite, viu-me a trocar números de telemóvel com esse rapazinho assim como me viu a sair sozinha do bar a caminho de casa. Não houve mensagens posteriores, mas houve aquilo que ele no inicio, quando começámos a falar, me tinha dito "se não estiveres interessada em mim, eu eventualmente terei de seguir em frente". Está a pagar pela língua porque eu mostrei-lhe exactamente como se faz.

 

Tenho obviamente de confessar que depois dele me ter enviado a última mensagem a oferecer-se novamente para eu usar as cordas nele, passado uns dias, enviei-lhe foto das cordas, tudo para o picar. Ando a brincar com o fogo, eu sei. "Acho que vão dar óptimas decorações de Natal, não achas?", ele respondeu "com certeza". O que ele responde sempre quando não quer continuar a falar... acho eu. Também não disse mais nada. Gosto apenas de picá-lo e de fazê-lo passar mal com a cena toda que ele próprio montou. Gosto de torturá-lo com a ideia de que eu podia perfeitamente fazer o que ele quer que eu faça, mas não faço porque ele não me dá aquilo que eu quero. Há lá coisa mais sádica do que esta?! Se isto não é rough enough então não sei o que será... Acho que estou a jogar bem, não estou?! Assim como acho que daqui a uns tempos, quando eu me tiver esquecido do assunto e ele não tiver entretenimento melhor, há-de voltar a perguntar-me sobre as ditas cordas. Uma coisa é certa, incomoda-me muito que ainda não tenham sido utilizadas. Devia arrumar o assunto este ano. Ah ah ah ah ah. Boas saídas malta e grandes entradas! 

Mandei o de 27 esperar sentado. Não desci tão baixo. Não o faria. Uma pessoa - por mais desesperada que esteja (acho que me posso chamar isso) - continua a ter parâmetros. A conversa dele foi PÉSSIMA. A postura PIOR AINDA. Não me surpreende. No geral, estão todos à espera. Quando abro a app o que mais vejo são pop ups a sinalizar "a tua vez". Não há nenhum match digno de resposta. Neste momento são pr'aí uns 12 em lista de espera. Ad eternum. Continuo a fazer swipe só porque sim. A minha idade já não me permite responder a "bons dias alegria". Nunca me permitiu na verdade. Quero acreditar que isso não me acontece só a mim. Na verdade, acho que as apps são para isso mesmo. Para sacar dinheiro aos tolinhos e para não se chegar a nada com várias pessoas. Também acho que lá de vez em quando calha-nos a fava, uma coisinha mais ou menos sana só para acreditarmos que a tecnologia pode poupar-nos uma série de etapas. É mentira. Não nos poupa de absolutamente nada. No entanto, continuo a achar que há um lado extremamente positivo.

 

Antes de lá ir, tenho que vos contar outra coisa. As cordas chegaram. O que é que eu fiz? Vocês já sabem. Avisei-o. O outro. O de 30. Ponderei muito antes de. Fiz até uma sondagem entre amigas. As jovens na casa dos 30s diziam-me para não avisar, as não tão jovens na casa dos 40s diziam-me para tentar. Achei curiosa a divisão de opiniões por faixa etária. Eu queria arrumar o assunto. Bullshit. O que eu queria, queria, era desenterrar o assunto embora o prazo de validade já tivesse vencido. Incomoda-me bastante ficar com utensílios que foram introduzidos na minha vida por alguém que não está na minha vida. Nem como amigo sequer. Comecei a ponderar não enviar, mas enviei assim mesmo. Às vezes precisamos de encerrar merdas que nunca chegaram a começar. Não posso não admitir que também queria obviamente lembrá-lo da péssima prestação que teve, o que não deixaria de ser uma provocação. Do ponto de vista sociológico tinha curiosidade perceber com que tom me responderia, se me respondesse. Ao, "olá, a tua encomenda chegou, diz-me o que é que queres fazer", ele respondeu "duvido que as usaria, por agora estou apenas focado em mim, desculpa como tudo acabou". Vamo lá a ver uma coisa,  então duvida que usaria uma porcaria na qual me fez gastar dinheiro? Bonito.

 

Num primeiro momento achei a resposta positiva. Fiz uma leitura muito rápida da coisa sem recorrer ao google translator. Atenção que o tradutor vai ser importante mais adiante. Há tanta gente de quem esperei um pedido de desculpas que nunca o fez, que fiquei surpreendida que este aparecesse sem grande esforço. Respondeu e foi honesto. Bom, foi politicamente correcto. Honesto nós sabemos perfeitamente que não foi. Então, eu - armada em Madre Teresa de Calcutá dos Aflitos - escrevi de volta que agradecia a honestidade (porque se deve sempre reforçar e incentivar os comportamentos positivos e devia ter sido sempre assim desde o inicio desta fantochada), disse-lhe que lhe emprestava a porcaria das cordas quando ele se sentisse preparado para as experimentar (uma brincadeirinha com mensagem subliminar) e acrescentei - a parte de que agora ME ARREPENDO MUITO - que se lhe apetece falar um dia destes que me desse um toque, isto porque li a parte de estar focado em si como trabalho interno e porque pensei que ele podia estar a bater com a cabeça nas paredes. Crucifiquem-me ou beatifiquem-me porque eu já não sei o que é melhor. 

 

Sucede que ontem, devido à tensão pré-menstrual, as minhas hormonas mandaram-se por um tobogã abaixo. Daqueles infinitos, com bué curvas e partes escuras. E faço o quê? Vou ao google translator, coloco a resposta e vai que tudo me pareceu BEM DIFERENTE. Portanto, ele deixa claro que não está interessado em usar as cordas COMIGO, foi por isso que também fiz questão de dizer que lhas emprestava e a conversinha do "agora estou apenas focado em mim" é o equivalente ao "it's no you, it's me". Bem que uma amiga me disse que ele ia pensar - after all this time - que eu queria qualquer coisa com ele e toca de deixar claro que não está disponível, pois com certeza. Eu só queria mesmo responsabilizá-lo, recordá-lo e atordoá-lo. Não sei se consegui. Fico com a linha do "desculpa como tudo acabou" que é assim a única que me parece mais sincera. E pronto, mais uma noite no meu sofá a beber vinho. Nada de novo. Consigo perceber também que há obviamente uma estratégia de fuga nessa mensagem. Quando algo te incomoda, tu tiras da frente. O rapaz deverá ser muito mais tímido e inexperiente do que quer mostrar. 

 

Este episódio bizarro fez-me recordar um colega de escola. Vou chamar-lhe António Maria porque ele era muito beto e achava-se de sangue azul. Tão beto que quando se esquecia do equipamento para as aulas de educação física, recusava-se a utilizar roupa emprestada dos colegas porque não era de marca. Um ovo podre com quem infelizmente eu me relacionei. Era bully, gozava imenso comigo porque eu era cheinha, mas nunca ao ponto de pôr tudo a perder porque eu também era muito boa aluna e isso dava-lhe imenso jeito. Então ele insinuava um certo interesse por mim para sacar dividendos em relação aos trabalhos de casa e eu, parva, alinhava nisso porque ele era popular - não sei porquê - na escola. Andava sempre tão colado a mim que as pessoas começaram a pensar que nós tínhamos realmente alguma coisa. Fomos para a universidade juntos e um dia ele convidou-se para vir até à minha casa ver um filme. Numa questão de segundos estávamos os dois nus numa cama. Não percebo como é que isso aconteceu e... se repetiu. Não foram muitas vezes e as vezes que foram, FORAM PÉSSIMAS. As suficientes para perceber que NÃO FAZIA SENTIDO NENHUM. Claro que nenhum de nós os dois sabia o que estava fazer, mas eu sabia claramente que ele me estava a usar novamente. Seguiu a vidinha dele, foi estudar para a Suiça, França, Londres, para onde vão todos os de sangue azul com pilas horrendas e que não sabem fazer nada de jeito na cama. Casou com uma tipa qualquer de sangue azul também - que infortúnio - e teve um filho. Aqui há uns meses atrás, tentou meter-se comigo outra vez. "Desculpa ter desaparecido, mas a vida agora é mais complicada". Acham que eu respondi? Querido, nem dei pela falta. 

 

Isto para concluir que as pessoas sem noção voltam sempre a tentar o acesso. Os de sangue azul que sempre parasitaram à volta dos outros, os manipuladores como o meu ex que há uns anos me enviou um pedido para me seguir no insta, os loucos que te bloqueiam e voltam a pedir amizade. GENTE QUE NÃO VALE UM CARALHO. Este amigo, parece ser um António Maria. Não tão mau - estou a ser generosa - mas lá perto. Continuo no entanto a achar isto tudo uma experiência positiva. Fez-me andar p'ra frente. P'ra onde não sei, mas saí do sítio onde estava. Sinto-me com vontade de "adiantar serviço" como se costuma dizer. Mudei a decoração da casa de banho e comprei finalmente uma televisão! Ele pareceu-me tão chique que eu quis tapar o buraco que existia no móvel! Uma nota preta hein... maior do que a que gastei com as cordas. Ha Ha Ha. Estou até a considerar avançar com a adopção de um animal. Penso nisso há imenso tempo e nunca dei o passo em frente porque sempre me convenci de que não era capaz de tamanha responsabilidade ou de tal exercício de amor. De certa forma ele inspirou-me a fazer isso. Se uma pessoa como ele consegue, eu tenho a certeza de que também consigo. Afinal de contas é de amor que os bichos precisam. Acho que me faria bem ter uma companhia. Até proteína comecei a beber. Não adoro, mas é precisa para os meus objectivos. Como ele bem disse "hei-de experimentar tudo pelo menos uma vez na vida". Acho que é esse o lema que levo. E que me estava a fazer muita falta. Talvez existam pessoas que só aparecem para nos fazer subir de nível. (em diferentes domínios). No regrets. 

 

 

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Então eu vou saltar assim uma data de acontecimentos pouco signficativos para ir directa ao assunto do momento. Ando a falar  com um mocinho p'raí há uns 6 meses. Muito mocinho. Conheci-o nas apps no rescaldo do outro casinho (aquele do inicio do ano). Parece que andou por estes lados, de passeio, mas não nos vimos. Ao fim de um mês encontrámo-nos. Fui à capital em trabalho e combinámos um "date"Não foi bem um date, as minhas expectativas estavam nas lonas, só queria mesmo conhecer a pessoa com quem andava a falar. Não achei que tivesse corrido escandalosamente bem. Também não correu mal, foi meh. Levou-me ao Mac, o que achei pouco original. Deixei-o falar sobre o quis, o tempo que quis. Estava extremamente cansada. Não fiquei impressionada, mas também não fiquei irritada. O que me pareceu bastante bom. Achei-o boa pessoa. A parte em que falou da família foi verdadeiramente doce. E bonita. Senti carinho. Fisicamente diria que não faz muito o meu género, não é que eu tenha um género, mas ele sai fora do estilo de rapazes com quem andei até agora. Regressei a casa segura de que mais dia menos dia deixaríamos de falar. 

 

Não aconteceu. Estamos "nisto" há 6 meses. Já inventei de tudo. Barbaridades. Disse-lhe que não tinha sentido grande química entre nós, que não apreciava o cabelo nem a barba, que ele não era assim lá grande coisa ao nível da conversa e que talvez fosse melhor investir em mulheres da idade dele (tem menos 8 do que eu). Genteeee, ele continuou a falar-me e é estranho. Honestamente estava à espera de ser corrida. Não fui. Não temos relação nenhuma, mas é como se eu sentisse que temos. Tão estranho... Há "bons dias" e "boas noites" e todo um protocolo diário que a criatura - por mais ocupada que esteja e por mais cenas desagradáveis que eu invente - não deixa de cumprir. E eu não queria admitir isto, mas quando ele não manda notícias, fico picada. Estão a ver, não estão? Na minha cabeça não faz sentido nenhum andar a falar com uma criança que ainda divide casa com amigos, vive a quilómetros de distância de mim e por quem eu nem sequer senti atração. Uma criança que já disse várias vezes que estava disposta a vir passar uns dias comigo para me conhecer melhor. Senhores o que é isto? Uma partida dos apanhados? Não estou a saber lidar. Juro. Ele tem obviamente algumas coisas das quais começo a gostar. Uma réstia de inocência (tão raro hoje em dia) e consistência. Até agora nunca teve nenhuma atitude que me deixasse confusa ou com dúvidas em relação ao interesse dele e se aconteceu, tratou de esclarecê-lo na hora. Para além disso, o pobre ainda "lidou" com as minhas crises como um senhor e isso arrumou-me a um canto. Que segurança sim senhor!

 

Quem é que em seu pleno juízo continuaria a falar comigo depois de tudo o que eu disse? Eu não falaria comigo própria. De certeza. Depois faz-me espécie... Uma cidade enorme cheia de milhares de tipas muito mais divertidas do que eu, muito mais simpáticas do que eu, muito mais disponíveis do que eu, porque é que a criatura continua a falar comigo? Não faz muito sentido, pois não? Não quero entusiasmar-me com, mas acho que estou assim meio entusiasmada já. E confusa. Assim de repente, vejo-me a abrir mão do cabelo e da barba e a esquecer o esfregão que o homem tem à volta da cara. No entanto, às vezes assusto-me. Começo a inventar-lhe defeitos. Muitos. Imensos. Terríveis. Depois lá vem um "bom dia" e esqueço tudo. Isto não tem boa cara, pois não?

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Feliz ano novo queridos e queridas. Tenho um babado novo para vos contar... Adivinhem lá como eu é que eu comecei dois-mil-e-vinte-e-dois? Vocês até se vão benzer... Tive um date!!! Nem dá para acreditar, né?! O ano promete (especialmente se der para manter o rácio de um date por mês). Querem detalhes, né? Já nos conhecíamos do ginásio, mas só começámos a falar um pouco mais nos últimos meses. Resulta que não havendo grandes planos para a passagem de ano e não se podendo fazer grande coisa por causa do covid, o fulano convidou-me para uma caminhada. A originalidade garantiu-lhe alguns pontos, confesso. Como vocês devem imaginar, estou um pouco traumatizada com os dates anteriores onde acabei num carro (da primeira vez) e na casa da criatura (na segunda oportunidade), meninos pah! Se as coisas derem para o torto durante a caminhada, uma pessoa pode sempre fugir. Tomem nota.

 

Antes de nos conhecermos eu já tinha comentado com uma amiga em comum que o achava charmoso. É mais velho, (uns 8 anos talvez), tem cabelo e barba grisalhos (o que aporta alguma gracinha); apesar de baixo e magro, o corpo está bem tratado sem exageros (é muito fã de desporto); é licenciado (o que me deixa esperançosa que saiba a diferença entre ah, e à), sabe cozinhar (o que me leva a dar-lhe mais uns pontos extras); sabe estar sozinho (o que pode ser uma desvantagem se houver evoluções) e sabe ocupar-se devidamente sem chatear ninguém. Até aqui tudo bom. Relativamente à sua prestação no date, tenho a dizer que foi um senhor (vantagens da malta ser mais velha!). Fui muito bem tratada como não era há muito tempo. Apanhou-me, conduziu-me, perguntou-me se eu tinha frio e se podia abrir os vidros, perguntou-me se estava confortável com a condução dele, ajudou-me na caminhada, nas subidas, nas descidas, deixou-me passar sempre em primeiro lugar, à frente dele, como um verdadeiro cavalheiro, trouxe-me de volta a casa sã e salva e... o melhor de tudo, não tentou saltar para cima de mim em nenhuma momento. Thank you lord!  

 

Notei-o um pouco nervoso. Uns nervos assim de quem quer disfarçar que está num date, uns nervos de quem não quer pensar muito no assunto. Eu não estava nada nervosa. Nada. E eu sou um poço de ansiedade. Estava nervosa se tivesse de fazer xixi atrás de um árvore a meio da caminhada, mas não sintomatizei, logo a bexiga portou-se bem. Fartou-se de dizer, várias vezes, que gostava muito de estar sozinho, que não queria relações, que era muito frio... Regra número 1 dos dates: acreditar sempre naquilo que as pessoas nos dizem sobre elas próprias. Até pode sê-lo, no momento vejo-o apenas muito carente. Alguém a quem as aproximações custam, daí talvez os nervos. Recordo-me que numa das primeiras conversas que tivemos lhe perguntei se não se sentia sozinho e ele respondeu "claro que sim". Fiquei surpresa com a rapidez e com a honestidade. Custa-nos a todos sermos vulneráveis, especialmente aos homens. Ele não hesitou. Acho que temos espaço suficiente entre nós para convivermos confortavelmente com as nossas fragilidades. Talvez tenha sido isso o que nos aproximou. Não sei. É bom falar com alguém de carne e osso que não se tenta fazer passar por super homem. A educação dele cativou-me. Não vou mentir. Senti-me um bocadinho princesa. Uma princesa descabelada e mal vestida, é verdade. De facto não investi muito na minha imagem. Não pretendia impressionar ninguém, queria apenas divertir-me. Não sei se se pode considerar um date uma saída onde se vai quase de pijama e sem maquilhagem, mas foi honesto. Mais vale ele ver-me logo feia para saber com o que pode contar. Quantos mais velhos ficamos, mais económicos somos. "É interessante?" perguntou-me uma amiga. "Mais do que 'A pessoa'". Sim é, não tenho dúvidas, mas... "lá vai ela começar a pôr defeitos, dizem vocês", depois do primeiro date com alguém, só consigo ver coisas más, também vos acontece? Já não o acho assim um charmeeee e não sei explicar bem porquê.

 

Talvez seja por ser magro demais. Acho que se ele fosse um bocadinho maior, mais robusto, ajudava bastante. Assim de repente acho a possibilidade muito desequilibrada, mas eu também posso estar a ver as coisas de uma perspectiva errada, ele pode não ser tão pequeno assim como eu o vejo e eu posso não ser tão grande como me faço parecer. Se me perguntassem, sentes vontade de ir para a cama com ele? Assim de repente, não. "A pessoa" também não era assim muito maior, estão muito equilibrados nesse aspecto, era um bocadinho mais lumberjack, digamos. A um falta-lhe um bocadinho de classe, ao outro um bocadinho de virilidade. Óh diabos, não vem fácil, né? Acho que o desempate pode se dar ao nível do follow-up. Sim, os follow-ups dos dates são super importantes e muita gente se perde aí. O d' A pessoa foi só péssimo, resta saber como será o deste. Acho que é por aí que se verá se há ou não interesse suficiente capaz de ultrapassar a falta de gordura do homem.

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"Acho que há falta comunicação entre nós". Oi?! Comunicação?! Até pode ser... Sabem, eu costumo falar muito sozinha, mas pouco com quem não fala comigo. E esta hein?!  Não consigo entender. Faltam-me estudos. Quem são estas pessoas que avançam com convicção, recuam no segundo seguinte sem deixar dúvidas, desaparecem sem dar razão, reaparecem sem ter noção e confrontadas com a situação, justificam-se dizendo que é tudo um problema de comunicação? Não é obviamente (só) um problema de comunicação. Nós não falamos porque não há interacção e quando há, não segue o protocolo mais lógico. E pior, há um problema de comunicação, "mas o interesse continua". Quem é esta criatura? De onde é que ela saiu? Então não havia de continuar? A coisa demora, mas pode sempre calhar. Oh minha nossa.

 

Não é um problema de comunicação, é mais um problema de gestão... Quando os outros contactos falham ou quando está entediado, "a pessoa" lembra-se de mim. É o que parece. Obrigada pela honra, mas eu não me sinto nem um pouco lisonjeada com o gesto. Claro, clarooo que nos dias do TPM, quando as hormonas embatem umas nas outras que nem umas loucas, eu gosto de me iludir e criar pequenos filmes na minha cabeça... Quem nunca? Mas isto não tem pernas para andar, eu sei. É preciso ter muita cara de pau. E convicção. A sério. Chego a admirar, mas só um pouco, estas pessoas que não deixam de tentar a sua sorte... mesmo quando o caminho começa a ficar meio apertado. Não se esforçam um dedo mindinho e ainda abrem a boca para dizer: "mas o interesse continua". Qual interesse? Eu acho que o problema é mais ao nível do português. Interesse para a criatura é sinónimo de saltar para cima porque obviamente ele não tem feito NADA para me conhecer... E portanto, no fundo, isto até é capaz de ser um grande problema de comunicação. Não falamos a mesma língua. Está claro.

 

Uma amiga minha, muito conservadora, de quem eu não esperava nada este conselho, disse-me "dorme com ele e acaba lá com isso de uma vez". Fiquei perplexa. Nunca pensei que ela - ELA - me fosse dizer uma coisa dessas. Ela acha que dormindo com ele, a coisa se desvanece mais rápido. De facto, não deixa de ser uma medida prática, mas a que custo? Comecei a pensar nisso... Porque (raio) é que não durmo com ele? Encontrei várias hipóteses: 1º) ele não se esforçou - nem sequer foi o suficiente, neste caso foi mesmo o mínimo - até estava disposta a baixar um pouco o nível dos pré-requisitos, mas nem isso lhe valeu; 2º) ele não me atrai q.b... não é feio, mas eu não sinto fogos de artíficio, penso que para me sentir atraída por ele fisica e psicologicamente era preciso que ele fizesse o que ele não faz; 3º) ainda não me sinto totalmente confortável e à vontade com o meu corpo depois de todas as mudanças pelas quais ele passou nos últimos anos, esta efectivamente é a que me dói um pouco mais. Segundo a minha amiga, eu devia fazê-lo para ultrapassar os meus problemas de confiança. I'm not quite sure se seria uma boa ideia. Acho que foram estas circunstâncias todas que fizeram com que a coisa não se desse quando se podia ter dado. 

 

Quando não nos sentimos muito seguros de uma coisa, o melhor é não fazê-la e de facto, eu não me senti muito confortável com os avanços da pessoa... Sinto que não houve preliminares suficientes que me deixassem no ponto, ou seja, a ponto de querer ir para a cama com ele. E por preliminares entendam tudo o que precede uma pessoa querer ir para a cama com a outra. A parte que me faz ter algum carinho pela criatura é que eu acho que ele é muito malandro e muito safado, mas não tem a experiência necessária para levar as coisas aonde ele quer, no entanto, não ponho as mãos no fogo porque não me quero queimar. O que é que é importante para mim neste momento? Alguém que não se fique pela boca do poço, pelas coisas superficiais e sem alma. Acho que estou à procura de alguém com quem consiga estabelecer uma conexão mais profunda, alguém que respeite efectivamente os meus timings, alguém que não salte para cima de mim, mesmo quando vê que eu não tenho a mesma vontade. Meninos sem experiência... se ele fosse efectivamente alguém mais inteligente, já o teria entendido. Acho que é isso que me irrita, a insistência pobre, desnutrida e sazonal que a criatura pratica.

 

Se há coisas nele que mexem comigo? Que as há, há, não posso negar. Agora não sei bem o que é. Já vos tinha dito, as pessoas mais jovens cronologica e emocionalmente têm qualquer coisa de naíve que é muito rejuvenescedor, não vou mentir. Querem saber qual foi a minha intuição quando o conheci? "Impossível estarmos juntos, agora, mas com algum trabalho, este diamante polido até era capaz de dar uma bela jóia" a par do "ele não tem pés para a minha bicicleta". E portanto uma pessoa nem sequer se pode irritar muito com a criatura porque há ali muita falta de formação e experiência de vida embore ele fale como se fosse doutorado em estudos do meio. Há obviamente a possibilidade da minha intuição me está a trair. A vida já me ensinou algumas vezes que nem sempre ela está certa... Ultimamente eu acho que nem com duas camadas de brilho aquilo algum dia dava uma pechisbeque... Há qualquer coisa, mas o que há é pouco para agora. E para o resto. O resto que ele quer. Então tem sido complicado gerir esta situationship porque uma pessoa não é de ferro e quando ele reaparece e faz uma nova investida, as pernas tremem um pouco. É isso que é o mais complicado nas coisas indifenidas, geri-las. Tenho as minhas carências como qualquer outra pessoa tem, mas sei que também sou muito honesta comigo mesma, aliás sou muito, mas mesmo muito intransigente neste aspecto. Que os outros sejam poucos honestos comigo preocupa-me bem menos do que eu sê-lo comigo. E pronto, às vezes mais vale perder apostas do que ganhar dores de cabeça. 

 

Então quando ele manda mensagens há uma parte de mim que diz não respondas... Normalmente só respondo dali a umas horas ou no dia seguinte... Não devo ser dos contactos preferidos justamente por causa disso.... Mas há também outra parte que acha que não devo deixar de responder e que isso é um sinal de boa educação. Ahan. Quem é que eu quero enganar? Continuo a acreditar que lhe dou alguma dimensão porque não há mais ninguém em jogo... Se houvesse, talvez fosse diferente. Há, há uns piropos e umas conversas sugestivas por parte de alguns homens com quem mantenho proximidade, mas nenhum que me sei lá, faça a caixa de pandora abrir-se. Estarei a ser demasiado exigente? Estarei de facto a impedir que se criem oportunidades, como as minhas amigas dizem que faço? Solteiros e solteiras no mesmo barco, já passaram por um deserto destes? Há salvação? Há esperança?

 

 

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Eu bem disse que uma pessoa mai nova tem tudo o que uma pessoa mai nova tem: a graça e a falta de experiência. Onde é que a falta de experiência se manifesta essencialmente? Na forma como se dá a volta às questões e como se leva a àgua ao moinho. A pessoa mai nova repetiu o esquema trágico-cómico com uma amiga minha: adicionou-a e meteu-se com ela e ela enviou o printAh, ainda dizem que a internet não é boa! E continuou a responder-me de uma maneira árida. O que é que uma pessoa mai velha - mas a caminho de ficar toda boa - faz? Ri-se. E sai para os copos com a amiga. End of story. Obrigada universo por mais este teste. Passei com um 3, não foi? 

 

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Eu ponderei muito, mas mesmo muito se devia ou não escrever este post. Aliás, escrevi-o e em seguida apaguei-o. E depois voltei a escrevê-lo. Ainda não percebi muito bem o que é que aconteceu nos últimos dias, mas vou tentar explicar-vos. Tive um DATE. Um date no meio do caos em que está minha vida. Assim fácil. Caído do céu. Ou melhor, das redes sociais. No entanto, "quando a esmola é demais, o pobre desconfia". Não é que estivesse à espera de dar um pontapé no homem da minha vida, mas no meio da euforia, de repente, o meu cérebro desligou-se e comecei a entusiasmar-me com a ideia muito estúpida das coisas poderem correr favoravelmente bem. Parece-me, sem querer ser precipitada, que as coisas nem sequer vão chegar a correr. Falsa partida. Não é que eu não tenha gostado, nada disso, gostei bastante, mas não houve follow-up. Quer dizer houve, mas depois não houve. Suspeito que este episódio isolado tenha sido um golpe baixo do tipo que escreve o guião, bastou eu fazer-lhe uns agradecimentos para ele me atraiçoar assim desta forma. Seu cabrão!

 

Então, a dita pessoa adicionou-me há muito, muito tempo nas redes sociais e eu aceitei. Não me perguntem porquê, mas acho que deve ter sido porque não vi nada de repelente no respectivo perfil. Na altura, por questões de trabalho, utilizava as redes sociais para cruzar contactos e cheguei a pensar que podia pertencer a algum dos fornecedores com quem eu trabalhava. Nunca falámos. Eu nunca falo se não falarem primeiro. (sim, eu sei que vocês estão todos a pensar que é por estas e por outras que eu só posso estar solteira). Um dia destes, "A pessoa" do título deste post disse "Olá" à pessoa que o escreve e ao contrário do que eu habitualmente faço - que é na sua grande maioria ignorar qualquer tipo de interacção - respondi. E pronto, começámos a trocar mensagens a um ritmo auspicioso. Com alguma reserva fui respondendo ao solicitado. "A pessoa" foi bastante directa, perguntou se estava disponível e se nos podíamos conhecer "melhor". Juro-vos que fiquei surpreendida. Nunca ninguém me tinha apresentado a coisa assim dessa forma. Estou habituada a convites para café disfarçados de boas intenções. Respondi que sim. De facto interessa-me muito conhecer alguém. Fui, mas sempre com um certo receio que o "melhor" dele incluísse alguma parte do meu corpo em particular. Provavelmente incluía, mas deixem-me pensar que era uma proposta honesta, pode ser?

 

Trocámos mensagens durante uns dias e combinámos um encontro por iniciativa dele. Pico de adrenalina gigante. Como é bom uma pessoa sentir que tem outra vez 16. Foi interessante, fluiu naturalmente, não houve nenhum sinal de alerta de tsnunami e não envolveu nenhum esforço físico desaconselhável a primeiros encontros. É mais novo, mas parece - atenção, "parece" - maduro. Tem uma forma engraçada - muito engraçada - de desarmar-me. Isso não acontece muitas vezes. E pronto, o cérebro desligou-se, as barreiras desceram e as borboletas na barriga tomaram conta do País das Maravilhas. O meu primeiro instinto foi o de que ele era boa pessoa. Um homem prático pouco maculado. Genuíno com um toque naíve raro. Assim que as borboletas começaram a espalhar-se, o sistema de alerta disparou. O medo assaltou-me. Comecei a arranjar teorias da conspiração para anular tudo o que tinha sentido antes. No dia a seguir ao encontro, ele cumpriu com o protocolo - um ponto a favor - e mandou mensagem de bom dia. Depois desse dia, e de uma série de problemas domésticos, a interacção caiu a pique. Estamos ambos ocupados com negócios e mudanças. Vejam só a coincidência. Portanto, não há assim nada de muito concreto a não ser uma carga de nervos gigante e um cólon muito irritado e muito contorcido. 

 

A última vez que eu tive qualquer-coisa-que-não-chegou-a-ser-nada com alguém, não passámos do 2º encontro. Ele tinha acabado de se divorciar e queria uma solução muito rápida para o pêlo. Quando percebeu que não ia ser assim, desligou. Se calhar, é porque não estava mesmo para ser. Então às vezes fico a pensar que "A pessoa" se calhar também não me vai querer conhecer como realmente diz que quer. E eu não sei se fico com pena ou se respiro de alívio.

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Médico de Família - Avaliação: Morno

Diz que tive de ir ao Sr. Doutor porque tinha "comichão" num determinado sítio. (como se vocês já não soubessem). Pensei, "ora alguém vai ver a minha querida amiga ao fim deste tempo todo", mas não. O Sr. Doutor não quis ver nada. Na verdade, até acho que foi o último que a viu. E imagine-se, não lhe apetece repetir. Mesmo sem a ver, a deprimida, o homem disse que é capaz de ser um fungo. E, a parte optimizada da coisa é que ao menos sabemos que não foi transmitido sexualmente. Oba! Deve-se à medicação permanente que faço e que fragiliza o sistema imunitário, logo as bichezas atacam o que lhes der na real gana e decidiram meter-se com a coitada da amiga que vai pr'a anos que não se mete com ninguém. Ingratas! Apesar de não ter sido um date memorável, tenho de confessar que aprecio muito a paciência do Sr. Doutor. Por enquanto, (provavelmente apenas por enquanto), ele ainda explica - com muita paciência e detalhe - a razão de cada diagnóstico. Uma coisa que os pacientes hipocondríacos (me, myself and I) valorizam muito. 

 

Contabilista - Avaliação: Quente, Quente, Quente

A arder foi como eu fiquei quando o homem me pôs à frente folhas e folhas de cálculos e apresentou, num registo super pedagógico, tudo aquilo que eu hipotetico-provavelmente terei de pagar. Não comecei a suar porque está um frio do catano, mas cheguei a hiperventilar por debaixo da máscara. Quem é a criatura que decide assumir a empresa familiar e ressuscitá-la em plena pandemia? Eu, a louca. E há gajos que ainda me perguntam, no Tinder, porque é que eu não gosto de correr riscos e colocar uma fotozinha? Mais do aqueles que eu tenho corrido? O Tinder é p'ra meninos. Tenho dito. Apesar de não ter sido um daqueles dates que apetece repetir, adorei a forma eloquente como o senhor das contas me explicou tin tin por tin tin. Aliás, adoro homens que sabem muito e não se importam de partilhar isso com os outros sem que seja preciso passar-lhes um atestado de burrice. Lamentavelmente é um pouco velho demais para mim... E caro.

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