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O Sexo e a Periferia

Entre a Carrie Bradshaw e a Bridget Jones. Com muito menos glamour, é claro.

Aviso: isto é um dark-post. A primeira depressão que eu tive atropelou-me aos 30. Eu sabia que os momentos menos felizes também faziam parte da vida, só não estava consciente da forma impiedosa como eles nos podiam paralizar. Vivi muito tempo em looping até finalmente procurar ajuda profissional: psiquiatra e psicólogo. A vida - que eu tinha escolhido e para a qual tinha trabalhado - era uma decepção. Lembro-me perfeitamente de ir para cama a chorar e acordar da mesma forma. Uma cena que se repetia todas as noites. E todas as manhãs. Fui deixando de funcionar gradualmente. E tinha - aparentemente - tudo. Emprego estável, namorado, casa própria. Nenhuma dessas coisas me fazia feliz. Quando ganhei coragem - com a ajuda dos profissionais, claro - para mudar de vida (despedir-me, acabar a relação, deixar a casa), adoeci. O desfecho não podia ter sido outro. As hipóteses de sobreviver eram reduzidas. Fui engolida por um tsunami. A doença, os médicos, os exames, os hospitais, o ex a ligar-me, os amigos que não sabemos mais quem são. Gente que entrou, saiu, passou e eu nunca percebi porquê. Sentia-me um espectador. O meu nome só interessava aos médicos e aos técnicos das análises. O "meu momento" nem sequer pôde ser meu. Foi tremendamente duro. Por mais terapia que faça não sei se isto algum dia irá sair de mim. 

 

Ninguém fala do depois. Dos sobreviventes. De quem fica. Do viver com a doença e para além da doença. Das reconfigurações. Um exercício muito semelhante a arrancar a própria pele e esperar que nasça outra. Mais bonita claro. Ninguém aceita que possa ser só mais ou menos bonita. Quem sobrevive tem de ser o herói, tem de ter feito algo espectacularmente bestial. Sobreviver não basta, pois não? Ando nisto há 10 anos e acho que fiz muito e bastante neste intervalo. Aguentei as provocações do ex, os amigos que desapareçam, os familiares que me magoaram, os patrões que me dispensaram. Fundei um negócio, comecei a treinar e a alimentar-me melhor, priorizei-me, esforcei-me muito para viver a vida que tinha imaginado a melhor para mim. Não me considero optimista. Nunca consigo pensar no bom, no fácil, no grátis. É uma formatação. O minimo que eu consigo é considerar-me uma pessoa com sorte porque a tive (no meio de todo o azar). Então eu acho que é muito legítimo estar cansada, irritada, defraudada. Um amigo meu, com quem falava outro dia, dizia-me que sentia que a vida lhe devia algo. Que nós (os que estão doentes ou já estiveram), vamos achar sempre isso. Que alguém nos tirou alguma coisa e nos deve alguma coisa. E talvez seja exactamente isso. Neste momento, acho que me devem várias coisas e todas elas boas. Sair à rua todos os dias com cara de quem lhe devem alguma coisa não é lá muito fixe. Mas devem. Porra, devem. 

 

A história repete-se. Como é natural. Tenho resistido e rejeitado a ideia de que estou bastante triste, mas a verdade é que estou. Sinto os dias pesarem-me muito. Também sei que isso faz parte da vida e que não dura para sempre, mas está a ser dificil. Mais uma vez, outra vez, não tenho nada de que me possa queixar, mas sinto uma tristeza enorme dentro de mim. O Inverno não ajuda, a altura do ano também não. Eu faço tudo - juro - o que dizem ter efeito. Nada está a resultar. E não, não quero sentar-me outra vez no sofá do psicológo e contar-lhe a minha vida. Tenho a sensação que todas as pessoas que passam por mim me arrancam um bocado e vão-se embora. Talvez eu seja uma espécie de divindade. Curo todos os males, menos os meus. Não tenho neste momento um amigo que me ligue a troco de nada ou tenha a decência de me perguntar como é que eu estou. Nem é pedir muito. Apenas um. Quando precisam de mim, lembram-se. Quando eu adoeci houve muita gente que não aguentou comigo e com razão. Um dia,  uma amiga que não me dizia nada há muito tempo ligou-me (porque a minha mãe lhe tinha pedido, claro) a sugerir que jantássemos no dia do meu aniversário. Respondi-lhe que não, ela insistiu e eu fui tentando fugir à questão até que ela me deixou sem saída: "tu desapareceste da minha vida e eu não consigo sentar-me numa mesa contigo, não faz sentido". Como se isso não bastasse, ela remediou o caso com um "não sei quando é que estás bem e queres fazer alguma coisa" ao que respondi: "e por acaso perguntaste? Pegaste no telefone para saber? Não, pois não?". Voltar à vida depois disto é foda. 

 

Também sei que isto é o estado actual das coisas. A incapacidade de se fazer algo pelo outro. Quando me enfiei no meu carro, gastei gasolina, fiz alguns quilómetros num dia de chuva, vento e frio, numa sexta-feira à noite, depois de uma semana de trabalho cansativa e fui jantar com o R. esperava o minimo. Ainda lhe paguei o jantar porque a ideia tinha sido minha e porque ele já me tinha falado das dificuldades económicas com as quais se debatia. Quando cheguei a casa, minutos depois de ter tido sexo com ele, ele já tinha postado um story em que revelava uma mensagem anónima que alguém lhe tinha enviado "gostava de estar contigo mais vezes" com a resposta "experimenta pedires". Eu não esperava muito, já o disse, mas uma parte de mim morreu nesse exacto instante em frente ao ecrã. Eu era só - sou só - uma miúda de 40 a tentar acreditar em alguma coisa boa. Nem sempre acredito, mas às vezes acredito e essa é a parte que me custa mais. 

Estou com dores de consciência. O destino - se acreditarem nisso - pôs-me a criatura de 25 anos de novo à frente. Não foi um encontro de 3º grau, não batemos olho com olho, mas estávamos bem perto um do outro, a escassos metros de distância. Nunca mais o tinha visto desde a noite em que nos enrolámos no carro. Não sei se ele me viu. Sei que o meu coração acelerou um bocadinho, não vou mentir. O meu corpo respondeu antes do meu cérebro e o vinho todo que bebi nesse dia, depois de o ter visto, só veio confirmar as suspeitas que todos tinham: ando-me a fazer de forte não sei porquê.

 

Ele tem 25. Eu tenho 40. Faz sentido? Não. Afastei-me dele e afastei-o de mim. Era o que eu queria? Se a minha cabeça estivesse na guilhotina, eu responderia não. Nunca tinha percebido que gostava tanto dele. A minha vida inteira foi sempre assim. Um exercício duro de evitação. Fuga. E falta de fé. Sempre me foi mais fácil fugir. Sempre fugi. Uma parte de mim diz-me que está certo. Que estou a evitar problemas. Que estou a limpar o caminho. Que vou ser recompensada com o certo. Outra parte de mim diz-me que estou a virar a cara outra vez. Que estou a ser cobarde. Que não estou a viver o que me prometi e que estou a mentir porque tenho - efectivamente - muitas saudades dele. Os meus 40 tem sido isto, um dilema. Um dilema entre o que devo e não devo, o que acho que preciso e não preciso. Não estão a ser tão divertidos como eu os esperava.

 

Estive a reler mensagens que trocámos. Não pode ser mentira. Não pode ser mentira quando o nosso corpo responde antes do nosso cérebro. Não pode ser mentira o que algumas pessoas nos fazem sentir e o que só conseguimos sentir com algumas pessoas. Não pode. Ele fez-me sentir viva. Fez-me sentir especial. E fez-me sentir que tudo se pode reiniciar outra vez. Será que uma mulher de 40 não tem o direito de viver isso? Sinto um nó na garganta. A apertar-me. Às vezes passa para o peito. Disse-lhe que estávamos bem como estávamos, afastados. Que não era boa ideia sermos amigos. Que a vida tinha seguido... mas não seguiu. E a dele talvez também não tenha. Sinto falta dele, mesmo como amigo. Peguei num livro que me tinham oferecido pelo meu aniversário, há uns meses, e comecei a lê-lo. "O que é que é mais importante: a viagem ou o destino? A companhia". Sinto que é urgente admitir que não disse a verdade, mas não sei como fazê-lo. Ou melhor, sei, mas tenho imenso medo. 

 

Ele não me restringiu. Continuo a ter acesso aos stories e à página dele. O meu cérebro é que pensou isso. Como pensou e pensa tantas outras coisas negativas. Aos 40 anos sou esta pessoa. A mulher que diz "não podemos ser amigos, estamos bem assim" e que agora não suporta isso. Já tenho idade para me desenvencilhar melhor, não? Não quero perdê-lo. E agora? Divertiamo-nos muito juntos. Foi intenso. E quero muito crer que também foi verdade. Daqui a dias vou de férias. Achei que percorrer o mundo faria sentido. Estar em casa com ele sabia-me a mundo também. Porque é que é tão dificil dizermos às pessoas que sentimos a falta delas? Que temos saudades... que elas nos faziam felizes? Ele é muito querido. Nunca me disse nada feio. Continuo a achar que tem o coração no lugar certo. A cabeça talvez não, mas qual deles é que ganha nesta equação? Qual deles é que é importante que esteja no lugar certo?

 

É jovem e falta-lhe muita estrutura, mas sobra-lhe sentimento. Tive alguns namorados e uns tantos casinhos que tinham estrutura, mas não tinham sentimento e isso é bastante pior. E no meio estou eu, convencida de que não me nem falta estrutura nem sentimento. Ele não esconde nem disfarça quem é (algo que me seduz sempre), tem o coração na boca (é muito genuíno e puro no que diz, às vezes explosivo quando lhe atacam os nervos) e quer ser feliz e amado como todos nós queremos. Nisso somos todos iguais. Corre de capelinha em capelinha onde lhe dão guarida e onde o coração dele pode descansar. Não o posso censurar. Metade de nós não faz isso se calhar por mera vergonha. E também não posso censurar que procure algo que satisfaça as dores que ele tem. Aos 25 eu também pensava que sabia muita coisa e não sabia nada. 

Cá estamos nós em Agosto - oitavo mês do ano - e a pessoa teve pr'aí uns três dias de glória, se tanto (e a probabilidade de algum deles ter sido sob o efeito do álcool é grande, portanto nem vale). Continuo com o mesmo mood anterior e provavelmente com mais um ou dois quilos. O que é que isso importa para uma rebelde como eu que foi expulsa das consultas de nutrição asseguradas pelo sistema nacional de saúde? Na-da.

 

O meu "amigo" voltou a estabelecer contacto. Na verdade, nunca deixou de. Desaparece, reaparece, desaparece. Não foi um contacto feliz. Ele tem uma "namorada" nova. Era suposto estar quietinho, não? Lembrou-se de me enviar mensagens durante uma viagem de trabalho. Tipico. Sai debaixo da asa dela, faz o quê? Actualiza a lista de contactos. Não devo ter sido a única. Conversa p´raqui, conversa p´rali, pergunta: "tens saudades minhas?". Tenho, mas não podia responder que sim. Até porque as saudades que tenho são de abraço e de pêlo, de mais não podem ser. Tentei ser pedagógica como sou sempre, "se pensares um bocadinho, sabes a resposta". Soou um pouco a educadora do jardim de infância, mas a criatura tem 25 anos. "Eu sei que é não, e faz sentido, e é normal". Então porque é que perguntaste caralho?! Expliquei-lhe que a vida seguiu - já lá vão 6 meses - sublinhei que ele também fez as suas escolhas (aparentemente porque ele não escolhe, ele encosta-se onde puder). Depois veio o discurso da vítima (óbvio!) e o elogio da minha pessoa, duas estretégias muito usadas por pessoas manipuladoras. Esta manobra de diversão foi a ginga em cima do bolo. Desatei num pranto como há muito não me acontecia. Senti-me tão impotente que só restou desafogar-me sentada na secretária do trabalho a olhar para o ecrã do telemóvel. Só chorei duas vezes neste trabalho, curiosamente das duas vezes a razão foram homens. Respirei fundo e expliquei-lhe o que se tinha passado. Senti que o devia fazer, então fiz. Correu bem? Não. Claro que não. 

 

Disse-lhe que achava que ele era boa pessoa (continuo a achar isso, na sua génese, é), que estava a gostar de conhecê-lo e que me tinha trazido sensações boas e intensas, mas que me tinha sentido um usada por ele (sexualmente falando) e isso tinha-me deixado desconfortável. Confrontar um manipulador com a verdade dos factos nunca é boa ideia, muito menos quando pomos em causa o sistema que eles estão habituados a utilizar. Disse-me que me queria ligar. Ligou? Não. Disse que queria ser meu amigo? Esforça-se por sê-lo? Não. Disse que eu não tinha percebido que ele estava a gostar de mim de verdade e que queria que a nossa relação se desenvolvesse, mas eu não deixei. Claro. De quem é sempre a culpa? De quem nunca a tem. Expliquei-lhe também - com mão firme - que não devíamos ser amigos nem nos aproximarmos. Desejou-me felicidades. Disse que eu era das melhores pessoas que alguma vez tinha conhecido. Que merecia encontrar alguém que me fizesse realmente feliz e que sabia que eu ia encontrar (acredita mais ele do que eu). E... restringiu-me. Claro, as pessoas inconvenientes devem restringidas. Pancada até ao fim. Como é que não hei-de estar exausta? A parte positiva é que ao contrário da minha dieta, este jejum eu tenho conseguido manter. Que pessoinha do caralhinho! Porque é que as boas rolas vêem sempre com os piores donos? 

 

Ando respondona, chata, não consigo divertir-me nem entusiasmar-me com nada e acho que está todo o mundo mais ou menos assim. Toda a gente me irrita. MUITO. Mesmo, muito. Tenho um contactinho novo. Na verdade, ele ainda não se dignou a dirigir-me palavra, mas amigamo-nos através das redes sociais. Fui eu que tomei a iniciativa de adicioná-lo no facebook (pareceu-me menos óbvio) e ele depois enviou convite no instagram. Faço likes nas fotos dele com o cão assim ele não sabe se é por causa dele ou do animal. Ele nunca reagiu a nada. É mais velho, mas mais novo, lol. Tem 37, um trabalho estável, hobbies interessantes, uma moto e cães. Consta que está solteiro há bués, mas se for pr'a ficar especado a assistir aos stories sem fazer nada, o comboio vai andar e depressa. Se eu quisesse audiências, tinha concorrido ao Big Brother.

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Como é que vos hei-de escrever isto... ainda falo com o tóxico. Ou melhor, ainda falamos um com o outro. Pronto. Julguem-me. Whatever. Tenho consciência (acho que tenho, né) que manter contacto com ele pode ser uma experiência radical, mas senti-me muito incomodada com o raspanete que lhe dei. Os nossos feelings valem o que valem, mas acredito que no fundo, no fundo, a gente sabe. Com o meu ex foi assim. Tinha um feeling que não me devia meter numa relação com ele. Transmitia-me pouca confiança e na verdade, não me dizia nada. Não sinto isso com o C. (vamos dar-lhe um nome melhor do que tóxico), mas a questão nem é essa. Nós não temos uma relação, nem sabemos se vamos ter e eu esqueci-me disso algures (as usual). É alguém que estou apenas a conhecer e com quem falo e não quero pensar em mais nada senão nisso. 

 

Com ele sinto-me à vontade. Sinto que não há máscaras. Estou a falar de mim. De como me vejo. Sinto que há espaço para a minha verdade e para quem eu sou, ou como eu imagino que gostava de ser. Não sinto necessidade de erguer muralhas, nem de sacar truques da cartola e isso não me costuma acontecer com muita regularidade. É isso, essa facilidade a descoberto com que as cenas surgem, o que me faz continuar a falar com ele. Acho que ele foi tão corajoso em contar-me a sua vida que eu também não lhe quero mentir. Acho que ele uma das poucas pessoas de carne e osso que pelo menos se esforçou por se dar a conhecer. Aliás, quando lhe disse que não queria falar mais com ele porque me sentia exarcebada com o que ele me contava, ele pediu-me desculpa e disse-me que só o tinha feito porque era a sua forma de triagem porque também se precisava sentir seguro. Creio que todos nós precisamos de nos sentir seguros. Custa-me, claro que me custa, aceitar que uma pessoa como ele, com o passado dele, com o presente dele, me dê o que outras pessoas com vidas aparentemente mais bem organizadas e menos marginais não me deram. Estou a julgá-lo. Faço-o todos os dias, mas não o quero fazer mais. É normal, mas não é justo.

 

Claro que esta vontade de ser eu pode ser apenas uma resolução da idade. Pode ser uma nova forma de estar na vida. Pode ser a ternura dos (quase) 40, mas é uma forma de estar como nunca estive. E não vos vou mentir, gosto imenso desta versão 4.0. Falámos tanto (um bocadinho rápido demais, claro) e partilhámos episódios tão intensos que eu senti que estava de certa forma a desrespeitar tudo o que venho a pregar na vida. Depois de ter entrado em pânico, obriguei-me a reflectir. Acho que posso ter feito um bocadinho de drama a mais... E não, não estou a tentar desculpar o menino, não é nada disso. Estou a reflectir sobre as minhas próprias atitudes. Projectei nele uma carragada de cenas que têm muito mais haver comigo e com os meus traumas do que com a história dele e acho que isso não foi nada bonito. Liguei-lhe e tal como lhe expliquei o quão desapontada estava com ele e o quanto me sentia usada por ele, também lhe confidenciei que tinha entrado em pânico, que não queria que ficasse um mau ambiente entre nós, que ele não era o único que se sentia sozinho e que ele me divertia. Muito. Continuo orgulhosa de mim. Acho que pela primeira vez na vida estou a tentar comunicar o que sinto desde o quilómetro zero. 

 

Soa mal? Eu acho que estou apenas a ser prática. Ele dá-me alguma coisa que eu curto e que eu não encontro noutras pessoas, porque é que não podemos aproveitar isso? Chega de drama. Não quero com isso dizer que vou viver para ele... Não posso obviamente escalar para onde não dá para ir, mas acho que também não devo deitar a perder o que a vida me está a tentar ensinar. Mesmo que ele seja só um amigo, é extremamente bem-vindo. Sempre fiz imensos juízos de valor sobre as pessoas e talvez isto seja apenas uma experiência para me deixar mais permeável ao mundo e aos outros. Com a idade que levo, não me peço dar ao luxo de me recusar a aprender. Come what may, come what may.

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